Recentemente tive a "oportunidade" de iniciar meu próprio negócio ou, ao menos, fazer algo útil enquanto não me recoloco no mercado.
Como sempre faço quando começo algo novo, procurei todo tipo de literatura sobre empreendedorismo, negócios, etc. E tive a felicidade de achar um livro chamado "STARTUP: Manual do Empreendedor" escrito por Steve Blank e Bob Dorf.
São citadas no livro as dezenas de empresas que os dois fundaram e que foram bem sucedidas mas, aqui no Brasil não temos alcance dessas empresas, então, fica difícil para nós sabermos se foram realmente bem sucedidas ou em que termos elas o foram. Algumas, no entanto, são realmente mundialmente conhecidas e estão aí firmes e fortes no mercado de modo que o que foi alegado por eles no livro pode sim ser verificado.
Isto chamou minha atenção e, principalmente, uma parte do livro que estava delineando, logo nos primeiros capítulos, o que uma STARTUP não deve ter e fazer. A mais significativa citação foi a de que ele separa claramente os fundadores (as pessoas que tiveram a idéia para abrir a empresa, o que ela iria fazer) dos administradores (os que mantém a empresa em pé).
Outro ponto interessante é dizer que uma startup é um ato de fé. Gostei disso porque no momento é tudo o que tenho com o que estou fazendo: fé! Fé de que vou conseguir terminar as coisas e alguém vai se interessar pelo que estou fazendo e vai querer me dar dinheiro por isso.
Essas duas citações, para mencionar apenas essas, pude comprovar na prática, principalmente na penúltima empresa em que estive que era uma startup. Era um sonho de um dos fundadores que se associou com um outro muito bem relacionado no mercado e que tinha todos os contatos. Mas era isso o que eram. Idealistas. Não tinham a menor experiência em administração de uma empresa ou condução de projetos principalmente em TI. Nenhum dos dois sequer tinha alguma formação técnica de modo que pudessem "ajudar" no dia-a-dia da coisa.
Mas tinham ótimos recursos e conseguiram contratar bons administradores. Mas não os permitiam realizar o trabalho para o qual foram contratados. E a coisa está lá, patinando até hoje.
Fundadores não devem ser mais do que isto. Quando a coisa vira, quando a ideia é aceita, quando alguém compra a ideia, essas pessoas precisam sair da frente e deixar que outros continuem seu trabalho pelo bem da ideia, da futura empresa e, principalmente, dos seus bolsos, afinal, eles ainda estão pagando por tudo isso.
E fiquei pensando porque eles faziam isso. Cheguei a alguns pontos como, por exemplo, medo. Medo de que a ideia deles não fosse aceita ou que não desse em nada. Desconfiança de que as pessoas que eles contrataram não fossem capazes de cumprir com o que foi demandado e que eles descobrissem tarde demais de modo irreversível de que tudo tinha dado errado.
Mas Orgulho e Mediocridade foi o que mais ferrou tudo. Orgulho de um dos fundadores em querer ter todo o conhecimento para fazer tudo sozinho o tempo todo. Ele queria ter a ideia, programar, vender, administrar, etc. E seu orgulho era tão forte que começou a frear a empresa e a dar prejuízo. E então a Mediocridade do outro fundador. Mediocridade essa que não lhe permitia ver as economias burras, a falta de tato, as ações idiotas do outro fundador atrapalhando a vida das equipes técnicas e acredito mesmo que até hoje ele esteja usando o outro lado do papel higiênico para economizar. Espero que com isto tenha sobrado algum fundo.
E fiquei então lembrando de todos os outros lugares por onde passei e que essas duas palavras, juntas ou não, estavam sempre presentes: Orgulho e Mediocridade.
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