segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Windows Phone 8.1

Finalmente atualizei meu Nokia 720 para usar o Windows Phone 8.1. 



Foi um download custoso, mesmo para quem tem internet rápida de 15Mbps fibra que, aliás ontem estava uma carroça. Depois de 2Gb de espera, o telefone se "pre-configurou" um termo novo para mim e enfim, reiniciou. O reinicio também foi pesado e aí vieram as ótimas surpresas depois de pelo menos 30 minutos de reinicialização (onde eu já esperava ter bricado o aparelho).

Todos os meus dados e contatos, sem exceção estavam ali todos disponíveis. Todos os apps que eu havia baixado estavam lá sem problemas. O único trabalho que tive foi recolocar a senha da conta do Google e do Facebook (para confirmar se eu era eu mesmo) e o Whatsapp que disse que não era compatível com a versão mas até o momento vem funcionando corretamente.

No mais, o sistema é lindo. Tiles tiveram um aprimoramento fantástico. Achei que ele se "androidou" um pouco, trazendo características como uma barra de notificações retratil como temos no Android, botões de atalho para a maioria das funcionalidades de hardware como bluetooth e wifi e, finalmente, um teclado virtual bom de verdade que o antigo era um lixo. E para melhorar ainda mais o teclado, UAU, agora tem um "swipe" digno das versões mais novas de qualquer sistema mobile. Lógico que o nome é outro, que aliás nem gostei tanto. Chama-se WORD FLOW. Me lembrou do produto do Office. Mas esqueçam isso ... o nome não impede a funcionalidade de ser excelente. A sugestão de palavras também é fodástica.

Encorajo a todos que experimentem. A NOKIA e a Microsoft estão fazendo um trabalho realmente excelente. Não preciso nem dizer que a câmera e o software que acompanha são espetaculares!!!!

Abraço a todos.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Orgulho e Mediocridade

Recentemente tive a "oportunidade" de iniciar meu próprio negócio ou, ao menos, fazer algo útil enquanto não me recoloco no mercado.

Como sempre faço quando começo algo novo, procurei todo tipo de literatura sobre empreendedorismo, negócios, etc. E tive a felicidade de achar um livro chamado "STARTUP: Manual do Empreendedor" escrito por Steve Blank e Bob Dorf.

São citadas no livro as dezenas de empresas que os dois fundaram e que foram bem sucedidas mas, aqui no Brasil não temos alcance dessas empresas, então, fica difícil para nós sabermos se foram realmente bem sucedidas ou em que termos elas o foram. Algumas, no entanto, são realmente mundialmente conhecidas e estão aí firmes e fortes no mercado de modo que o que foi alegado por eles no livro pode sim ser verificado.

Isto chamou minha atenção e, principalmente, uma parte do livro que estava delineando, logo nos primeiros capítulos, o que uma STARTUP não deve ter e fazer. A mais significativa citação foi a de que ele separa claramente os fundadores (as pessoas que tiveram a idéia para abrir a empresa, o que ela iria fazer) dos administradores (os que mantém a empresa em pé).

Outro ponto interessante é dizer que uma startup é um ato de fé. Gostei disso porque no momento é tudo o que tenho com o que estou fazendo: fé! Fé de que vou conseguir terminar as coisas e alguém vai se interessar pelo que estou fazendo e vai querer me dar dinheiro por isso.

Essas duas citações, para mencionar apenas essas, pude comprovar na prática, principalmente na penúltima empresa em que estive que era uma startup. Era um sonho de um dos fundadores que se associou com um outro muito bem relacionado no mercado e que tinha todos os contatos. Mas era isso o que eram. Idealistas. Não tinham a menor experiência em administração de uma empresa ou condução de projetos principalmente em TI. Nenhum dos dois sequer tinha alguma formação técnica de modo que pudessem "ajudar" no dia-a-dia da coisa.

Mas tinham ótimos recursos e conseguiram contratar bons administradores. Mas não os permitiam realizar o trabalho para o qual foram contratados. E a coisa está lá, patinando até hoje.

Fundadores não devem ser mais do que isto. Quando a coisa vira, quando a ideia é aceita, quando alguém compra a ideia, essas pessoas precisam sair da frente e deixar que outros continuem seu trabalho pelo bem da ideia, da futura empresa e, principalmente, dos seus bolsos, afinal, eles ainda estão pagando por tudo isso.

E fiquei pensando porque eles faziam isso. Cheguei a alguns pontos como, por exemplo, medo. Medo de que a ideia deles não fosse aceita ou que não desse em nada. Desconfiança de que as pessoas que eles contrataram não fossem capazes de cumprir com o que foi demandado e que eles descobrissem tarde demais de modo irreversível de que tudo tinha dado errado.

Mas Orgulho e Mediocridade foi o que mais ferrou tudo. Orgulho de um dos fundadores em querer ter todo o conhecimento para fazer tudo sozinho o tempo todo. Ele queria ter a ideia, programar, vender, administrar, etc. E seu orgulho era tão forte que começou a frear a empresa e a dar prejuízo. E então a Mediocridade do outro fundador. Mediocridade essa que não lhe permitia ver as economias burras, a falta de tato, as ações idiotas do outro fundador atrapalhando a vida das equipes técnicas e acredito mesmo que até hoje ele esteja usando o outro lado do papel higiênico para economizar. Espero que com isto tenha sobrado algum fundo.

E fiquei então lembrando de todos os outros lugares por onde passei e que essas duas palavras, juntas ou não, estavam sempre presentes: Orgulho e Mediocridade.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Recursos Desumanos

Dona Zefa trabalhou em minha casa por apenas 3 anos. Apenas para mim passou pouco tempo, mas para ela deve ter sido um tempo danado. Ela vinha duas vezes por semana, às terças e às quintas. Chegava às 8:00 e ia embora lá pelas 18:00 ou 19:00 às vezes. A casa era grande e para limpar e arrumar tudo ela levava um bom tempo. Além disto estavam incluídas as tarefas de passar roupa e organizar algumas coisas na casa.

Eu e minha esposa, quando a contratamos, a deixamos a vontade para cobrar o que ela achava certo pelo que tinha a fazer, os dias que eram melhores para ela e mesmo o horário. Nunca exigimos dela mais do que conversamos antes da contratação. Tudo foi acertado. Inclusive o valor que a pagávamos era bem mais alto do que a média que se paga por diárias por ai.

Até que um dia algo ruim aconteceu. Perdi meu emprego e para nossa própria contenção de custos, até que outra fonte de renda pudesse ser conseguida, tivemos que dispensar a Dona Zefa. Não dormi por duas noites antes de dispensá-la. Sei das dificuldades dela, o longo trajeto de casa ao trabalho, a quantidade de filhos, marido aposentado por invalidez e por ai vai. Dona Zefa era o sustento da família. E tentei achar uma solução que fosse o melhor para ambos. Antes de dispensá-la comecei a ligar para amigos e familiares "vendendo" os serviços da Dona Zefa e tentando uma recolocação a ela. Achei que devia dado os anos bons que ela passou conosco, sempre educada e prestativa, faltando poucas vezes principalmente quando o marido não estava bem (mas sempre acabava compensando uma falta vindo no sábado muitas vezes sem nem esperarmos que ela o fizesse).

Deste modo, fiz com ela o que gostaria que fizessem comigo: tentei ter o máximo respeito pela pessoa / profissional que estava ali na minha frente e que me tinha sido tão útil. Chamei-a ao escritório, pedi que sentasse e ela, que já estava com a cara assustada ficou pior ainda quando comecei a falar: "Dona Zefa, a senhora está conosco já há alguns anos, sempre fazendo o melhor, deixando tudo limpo e arrumado e não há o que eu tenha que reclamar de você, do seu trabalho, enfim, de nada. Infelizmente, eu perdi meu emprego há alguns dias e não consegui arrumar outro ainda e preciso cortar despesas para conseguir manter a mim e minha esposa. Já estamos fazendo economias com várias coisas e, infelizmente, não vou poder continuar a contratando".

Neste momento, ela já ia esboçar um choro, ou ao menos parecia. E continuei: "Mas antes de vir aqui falar com a Senhora, eu estive conversando com amigos e pessoas da minha família e recomendei os seus serviços. Tenho um amigo interessado em contratar a senhora para trabalhar dois dias na casa dele e minha mãe gostaria que a senhora trabalhasse para ela um dia na semana. Ao invés de perder 2 diárias por semana, estou te oferecendo 3 diárias com outras pessoas. O que a senhora acha?".

O semblante passou de medo a alegria. O choro foi inevitável. Me agradeceu muito. Disse que não poderia estar mais contente porque o início da conversa foi assustador porque ela não poderia agora deixar de ganhar aquele dinheiro e que na verdade, eu estava era dando um aumento a ela.

Agora vou contar a vocês como foi a minha demissão de uma grande empresa da minha cidade ligada, entre outros negócios, ao ramo de logística e comércio exterior: numa bela manhã de segunda-feira, me arrumei, coloquei o uniforme padrão da empresa, saí de casa no horário de sempre, peguei meu carro na garagem e me dirigi ao trabalho. O trânsito estava bom aquela manhã e, não fosse o calor absurdo, teria chegado menos gosmento ao trabalho. Cheguei ao meu departamento, marquei meu ponto eletrônico, sentei na minha mesa e fui à sala do meu gerente para dar um bom dia (pessoalmente, gosto muito do meu agora ex-gerente. É uma pessoa extremamente inteligente e humana no melhor sentido da palavra. O tipo de líder que você segue para onde for) e ver o que iríamos fazer primeiro dado o projeto em que estamos alocados. Eu disse que iria verificar o andamento das tarefas da equipe que coordeno, leria algum e-mail urgente e viria falar com ele sobre as especificações dos módulos restantes do sistema no qual nosso projeto deveria desenvolver. Ele assentiu com a cabeça, e eu entendi que era para eu fazer o que disse que faria.

Menos de 10 minutos depois, por volta das 8:15 da manhã, entra na sala dele o psicólogo do RH responsável por recrutamento e seleção e ele me chama: "Vem cá um instante". Fui.

Disse ele: "Paulo, a empresa está passando por um novo ajuste. Meio do ano passado tivemos que enxugar gente aqui no departamento de TI para conter custos e, este ano, a coisa já começou novamente. Tentei argumentar quando o pedido veio da diretoria mas eles estão irredutíveis. Preciso te dispensar. Está aqui o psicólogo do RH que vai te passar alguns formulários, vai te ajudar a recolher suas coisas e você pode ir para casa".

Eu estava catatônico. Esta empresa é famosa por duas coisas na cidade: ser uma escola para os concorrentes irem buscar recursos e dispensar gente o tempo todo por qualquer motivo. Se vocês acompanham este blog, vejam o que relatei sobre a economia burra. Eles fazem isto todo santo dia. Eu não sabia o que dizer ao meu gerente. Se pedia socorro, se sorria, se chorava.

Disse se eu tinha que ir naquele dia mesmo, expressei minha preocupação sobre o projeto que estava em andamento, sobre a comunicação da minha saída para a equipe, afinal, era o líder deles e poderiam ver aquilo de forma negativa, poderia causar uma ruptura na equipe e afundar o projeto. Não me disse nada. Apenas que eu deveria ir embora.

Escoltado pelo rapaz do RH, abri minha gaveta, peguei o que lembrei que havia ali e que era meu. Acabei deixando livros no armário que, quer saber, fique com eles, são velhos mesmo. E não estava acreditando no que estava acontecendo. Mal pude me despedir das pessoas. Não tinha como dar um tour pelos departamentos e me despedir das pessoas com as quais trabalhei por dois anos. Não tive como ligar para outras de outras filiais com as quais falava quase que todos os dias para me despedir. Não pude sequer mandar um e-mail com o endereço da empresa para dizer algumas últimas palavras. Passei por algumas pessoas que me olhava com incredulidade ... outras sequer olhavam ... outras olhavam com pena como se eu estivesse condenado à morte.

Poucos me desejaram sorte. Poucos me foram amáveis.

Foi o desligamento mais humilhante no qual já passei. Lembrei do primeiro dia no emprego quando entrei com o status de Novo Coordenador da TI. "Olha, o cara veio da capital, já trabalhou em empresas internacionais, é o cara! Vai dar jeito em tudo", diziam uns. Todos me cumprimentavam. Gente que eu sabia que não iria com a minha cara vinha falar comigo e me desejar sorte. E estas mesmas pessoas que vieram com tanto oba-oba na minha chegada, não olham nos meus olhos na minha saída. Uma delas, virou o rosto e começou a fazer uma ligação telefônica quando eu passei na mesa dela para me despedir. "O CARA" era agora um derrotado qualquer subjugado ao desemprego, humilhado e seu nome será apagado da história da empresa. Quanta humanidade!

Enganam-se os que acham que minha saída daquela empresa é o fim. Nunca é. Somente um recomeço. Um brilhante e maravilhoso recomeço. Agora posso financiar minhas idéias e possivelmente ser dono de mim mesmo. O céu é o limite ou eu volto a procurar emprego em outro lugar. Não tenho frescura. Faço qualquer coisa e vivo minha vida.

Foi por isso que pensei na Dona Zefa. Não a queria humilhada como me humilharam. Não vou ser brasileiro que faz o que todo mundo faz. Eu comando minha vida e faria do meu jeito. Ela não seria dispensada de qualquer jeito. Eu não jogaria a Dona Zefa na lata do lixo porque eu não tenho mais como tê-la na minha folha de pagamento. Não. Dona Zefa seria tratada como eu gostaria de ter sido tratado: com RESPEITO.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A economia Burra!

O outro título que pensei em colocar para este POST foi "Como os brasileiros que gostam de levar vantagem em tudo são absurdamente burros", mas além de grande o título iria ofender quem não devia, ou seja, uma parcela de 0,000005% da população de nosso país. (Caso não queiram calcular isto dá 14,7 pessoas no país todo).

Já me deparei com a seguinte cena: "Ah, eu não compro tomate no supermercado, é caro. Eu vou na feira porque economizo pra caramba. No supermercado o quilo do tomate está R$ 6,00 e na feira eu pago R$4,99". Essa pessoa que me disse isto não mora perto de rua que tem feira livre. Para chegar à feira mais próxima ela vai de carro, num trajeto de aproximadamente 5 Km. Tudo bem, ela tem um carro popular que faz pelo menos uns 10 Km por litro de combustível e o carro é flex. Trocando em miúdos, ela gasta com a ida e a volta o total de R$ 2,30. Se você somar isto ao quilo do tomate que ela vai comprar, o tomate já sai por R$ 7,29. O supermercado ao qual ela se referiu fica a meia quadra da casa dela e que permite que ela vá a pé.

OK, OK, os valores que estou me referindo são irrisórios e mesmo se contar que a pessoa compra tomates toda a semana, ela gastará R$ 379,08 no ano e poderia economizar um total de R$ 119,60 se fosse no supermercado. Em um ano, já não é tão irrisório assim principalmente se é uma pessoa que não ganha mais do que 3 salários mínimos como é o caso desta pessoa.

Só que este tipo de economia burra não é encontrada somente junto a pessoas do populacho. Empresários, grandes empresários tem o mesmo pensamento pequeno e mesquinho.

Estou cansado de trabalhar para pessoas que tem essa mentalidadesinha pobre. A empresa que conta a quantidade de impressões que você faz mas que larga as luzes da empresa ligadas a noite toda mesmo sem ninguém na empresa ou compra equipamento de informática fabricado na catingentoslávia e que dura menos tempo do que sabor de chiclete. O empresário está acostumado a ter o bolso cheio o tempo todo e que se virem as pessoas que ele contratou para realizar o trabalho.

É mais ou menos assim que funciona: o empresário tem uma grana e monta a empresa. Ele determina quanto quer ganhar por mês e este valor é inquestionável e imutável. Não importa quanto a empresa fature, seus custos, seus investimentos, a retirada mensal do empresário-metido-a-diretor tem que acontecer e nem um centavo a menos. Não importa se tudo o que o cara fez foi ficar o dia todo sentado numa sala pedindo a alguma estagiário que ficasse gerando milhares de relatórios e planilhas que o tal empresário além de nunca ler não vai entender. A grana no bolso é sagrada, afinal, foi para isto que ele montou a empresa.

Novamente toco no ponto de que nem sempre quem tem sabe o que está fazendo com o que tem. Normalmente não sabe. Trabalho numa empresa quase centenária que foi fundada pelo avô da família. Homem íntegro e que vivia o negócio, criou a empresa do nada, com poucos recursos e trouxe ela, passando por uma guerra mundial e diversos problemas que haviam em nosso país. O filho, que também tinha a mesma paixão que o pai, elevou a empresa a um patamar nunca imaginado. Também vivia o negócio. E chegaram os netos ... não vivem o negócio ... querem a grana ... e a coisa tá indo para o saco. Junte isso governos populistas, corrupções, desvalorização de tudo em nosso país e estou vendo que em mais 10 anos, tudo foi para o vinagre.

Isto é tudo pessoal.