O outro título que pensei em colocar para este POST foi "Como os brasileiros que gostam de levar vantagem em tudo são absurdamente burros", mas além de grande o título iria ofender quem não devia, ou seja, uma parcela de 0,000005% da população de nosso país. (Caso não queiram calcular isto dá 14,7 pessoas no país todo).
Já me deparei com a seguinte cena: "Ah, eu não compro tomate no supermercado, é caro. Eu vou na feira porque economizo pra caramba. No supermercado o quilo do tomate está R$ 6,00 e na feira eu pago R$4,99". Essa pessoa que me disse isto não mora perto de rua que tem feira livre. Para chegar à feira mais próxima ela vai de carro, num trajeto de aproximadamente 5 Km. Tudo bem, ela tem um carro popular que faz pelo menos uns 10 Km por litro de combustível e o carro é flex. Trocando em miúdos, ela gasta com a ida e a volta o total de R$ 2,30. Se você somar isto ao quilo do tomate que ela vai comprar, o tomate já sai por R$ 7,29. O supermercado ao qual ela se referiu fica a meia quadra da casa dela e que permite que ela vá a pé.
OK, OK, os valores que estou me referindo são irrisórios e mesmo se contar que a pessoa compra tomates toda a semana, ela gastará R$ 379,08 no ano e poderia economizar um total de R$ 119,60 se fosse no supermercado. Em um ano, já não é tão irrisório assim principalmente se é uma pessoa que não ganha mais do que 3 salários mínimos como é o caso desta pessoa.
Só que este tipo de economia burra não é encontrada somente junto a pessoas do populacho. Empresários, grandes empresários tem o mesmo pensamento pequeno e mesquinho.
Estou cansado de trabalhar para pessoas que tem essa mentalidadesinha pobre. A empresa que conta a quantidade de impressões que você faz mas que larga as luzes da empresa ligadas a noite toda mesmo sem ninguém na empresa ou compra equipamento de informática fabricado na catingentoslávia e que dura menos tempo do que sabor de chiclete. O empresário está acostumado a ter o bolso cheio o tempo todo e que se virem as pessoas que ele contratou para realizar o trabalho.
É mais ou menos assim que funciona: o empresário tem uma grana e monta a empresa. Ele determina quanto quer ganhar por mês e este valor é inquestionável e imutável. Não importa quanto a empresa fature, seus custos, seus investimentos, a retirada mensal do empresário-metido-a-diretor tem que acontecer e nem um centavo a menos. Não importa se tudo o que o cara fez foi ficar o dia todo sentado numa sala pedindo a alguma estagiário que ficasse gerando milhares de relatórios e planilhas que o tal empresário além de nunca ler não vai entender. A grana no bolso é sagrada, afinal, foi para isto que ele montou a empresa.
Novamente toco no ponto de que nem sempre quem tem sabe o que está fazendo com o que tem. Normalmente não sabe. Trabalho numa empresa quase centenária que foi fundada pelo avô da família. Homem íntegro e que vivia o negócio, criou a empresa do nada, com poucos recursos e trouxe ela, passando por uma guerra mundial e diversos problemas que haviam em nosso país. O filho, que também tinha a mesma paixão que o pai, elevou a empresa a um patamar nunca imaginado. Também vivia o negócio. E chegaram os netos ... não vivem o negócio ... querem a grana ... e a coisa tá indo para o saco. Junte isso governos populistas, corrupções, desvalorização de tudo em nosso país e estou vendo que em mais 10 anos, tudo foi para o vinagre.
Isto é tudo pessoal.