segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Windows Phone 8.1

Finalmente atualizei meu Nokia 720 para usar o Windows Phone 8.1. 



Foi um download custoso, mesmo para quem tem internet rápida de 15Mbps fibra que, aliás ontem estava uma carroça. Depois de 2Gb de espera, o telefone se "pre-configurou" um termo novo para mim e enfim, reiniciou. O reinicio também foi pesado e aí vieram as ótimas surpresas depois de pelo menos 30 minutos de reinicialização (onde eu já esperava ter bricado o aparelho).

Todos os meus dados e contatos, sem exceção estavam ali todos disponíveis. Todos os apps que eu havia baixado estavam lá sem problemas. O único trabalho que tive foi recolocar a senha da conta do Google e do Facebook (para confirmar se eu era eu mesmo) e o Whatsapp que disse que não era compatível com a versão mas até o momento vem funcionando corretamente.

No mais, o sistema é lindo. Tiles tiveram um aprimoramento fantástico. Achei que ele se "androidou" um pouco, trazendo características como uma barra de notificações retratil como temos no Android, botões de atalho para a maioria das funcionalidades de hardware como bluetooth e wifi e, finalmente, um teclado virtual bom de verdade que o antigo era um lixo. E para melhorar ainda mais o teclado, UAU, agora tem um "swipe" digno das versões mais novas de qualquer sistema mobile. Lógico que o nome é outro, que aliás nem gostei tanto. Chama-se WORD FLOW. Me lembrou do produto do Office. Mas esqueçam isso ... o nome não impede a funcionalidade de ser excelente. A sugestão de palavras também é fodástica.

Encorajo a todos que experimentem. A NOKIA e a Microsoft estão fazendo um trabalho realmente excelente. Não preciso nem dizer que a câmera e o software que acompanha são espetaculares!!!!

Abraço a todos.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Orgulho e Mediocridade

Recentemente tive a "oportunidade" de iniciar meu próprio negócio ou, ao menos, fazer algo útil enquanto não me recoloco no mercado.

Como sempre faço quando começo algo novo, procurei todo tipo de literatura sobre empreendedorismo, negócios, etc. E tive a felicidade de achar um livro chamado "STARTUP: Manual do Empreendedor" escrito por Steve Blank e Bob Dorf.

São citadas no livro as dezenas de empresas que os dois fundaram e que foram bem sucedidas mas, aqui no Brasil não temos alcance dessas empresas, então, fica difícil para nós sabermos se foram realmente bem sucedidas ou em que termos elas o foram. Algumas, no entanto, são realmente mundialmente conhecidas e estão aí firmes e fortes no mercado de modo que o que foi alegado por eles no livro pode sim ser verificado.

Isto chamou minha atenção e, principalmente, uma parte do livro que estava delineando, logo nos primeiros capítulos, o que uma STARTUP não deve ter e fazer. A mais significativa citação foi a de que ele separa claramente os fundadores (as pessoas que tiveram a idéia para abrir a empresa, o que ela iria fazer) dos administradores (os que mantém a empresa em pé).

Outro ponto interessante é dizer que uma startup é um ato de fé. Gostei disso porque no momento é tudo o que tenho com o que estou fazendo: fé! Fé de que vou conseguir terminar as coisas e alguém vai se interessar pelo que estou fazendo e vai querer me dar dinheiro por isso.

Essas duas citações, para mencionar apenas essas, pude comprovar na prática, principalmente na penúltima empresa em que estive que era uma startup. Era um sonho de um dos fundadores que se associou com um outro muito bem relacionado no mercado e que tinha todos os contatos. Mas era isso o que eram. Idealistas. Não tinham a menor experiência em administração de uma empresa ou condução de projetos principalmente em TI. Nenhum dos dois sequer tinha alguma formação técnica de modo que pudessem "ajudar" no dia-a-dia da coisa.

Mas tinham ótimos recursos e conseguiram contratar bons administradores. Mas não os permitiam realizar o trabalho para o qual foram contratados. E a coisa está lá, patinando até hoje.

Fundadores não devem ser mais do que isto. Quando a coisa vira, quando a ideia é aceita, quando alguém compra a ideia, essas pessoas precisam sair da frente e deixar que outros continuem seu trabalho pelo bem da ideia, da futura empresa e, principalmente, dos seus bolsos, afinal, eles ainda estão pagando por tudo isso.

E fiquei pensando porque eles faziam isso. Cheguei a alguns pontos como, por exemplo, medo. Medo de que a ideia deles não fosse aceita ou que não desse em nada. Desconfiança de que as pessoas que eles contrataram não fossem capazes de cumprir com o que foi demandado e que eles descobrissem tarde demais de modo irreversível de que tudo tinha dado errado.

Mas Orgulho e Mediocridade foi o que mais ferrou tudo. Orgulho de um dos fundadores em querer ter todo o conhecimento para fazer tudo sozinho o tempo todo. Ele queria ter a ideia, programar, vender, administrar, etc. E seu orgulho era tão forte que começou a frear a empresa e a dar prejuízo. E então a Mediocridade do outro fundador. Mediocridade essa que não lhe permitia ver as economias burras, a falta de tato, as ações idiotas do outro fundador atrapalhando a vida das equipes técnicas e acredito mesmo que até hoje ele esteja usando o outro lado do papel higiênico para economizar. Espero que com isto tenha sobrado algum fundo.

E fiquei então lembrando de todos os outros lugares por onde passei e que essas duas palavras, juntas ou não, estavam sempre presentes: Orgulho e Mediocridade.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Recursos Desumanos

Dona Zefa trabalhou em minha casa por apenas 3 anos. Apenas para mim passou pouco tempo, mas para ela deve ter sido um tempo danado. Ela vinha duas vezes por semana, às terças e às quintas. Chegava às 8:00 e ia embora lá pelas 18:00 ou 19:00 às vezes. A casa era grande e para limpar e arrumar tudo ela levava um bom tempo. Além disto estavam incluídas as tarefas de passar roupa e organizar algumas coisas na casa.

Eu e minha esposa, quando a contratamos, a deixamos a vontade para cobrar o que ela achava certo pelo que tinha a fazer, os dias que eram melhores para ela e mesmo o horário. Nunca exigimos dela mais do que conversamos antes da contratação. Tudo foi acertado. Inclusive o valor que a pagávamos era bem mais alto do que a média que se paga por diárias por ai.

Até que um dia algo ruim aconteceu. Perdi meu emprego e para nossa própria contenção de custos, até que outra fonte de renda pudesse ser conseguida, tivemos que dispensar a Dona Zefa. Não dormi por duas noites antes de dispensá-la. Sei das dificuldades dela, o longo trajeto de casa ao trabalho, a quantidade de filhos, marido aposentado por invalidez e por ai vai. Dona Zefa era o sustento da família. E tentei achar uma solução que fosse o melhor para ambos. Antes de dispensá-la comecei a ligar para amigos e familiares "vendendo" os serviços da Dona Zefa e tentando uma recolocação a ela. Achei que devia dado os anos bons que ela passou conosco, sempre educada e prestativa, faltando poucas vezes principalmente quando o marido não estava bem (mas sempre acabava compensando uma falta vindo no sábado muitas vezes sem nem esperarmos que ela o fizesse).

Deste modo, fiz com ela o que gostaria que fizessem comigo: tentei ter o máximo respeito pela pessoa / profissional que estava ali na minha frente e que me tinha sido tão útil. Chamei-a ao escritório, pedi que sentasse e ela, que já estava com a cara assustada ficou pior ainda quando comecei a falar: "Dona Zefa, a senhora está conosco já há alguns anos, sempre fazendo o melhor, deixando tudo limpo e arrumado e não há o que eu tenha que reclamar de você, do seu trabalho, enfim, de nada. Infelizmente, eu perdi meu emprego há alguns dias e não consegui arrumar outro ainda e preciso cortar despesas para conseguir manter a mim e minha esposa. Já estamos fazendo economias com várias coisas e, infelizmente, não vou poder continuar a contratando".

Neste momento, ela já ia esboçar um choro, ou ao menos parecia. E continuei: "Mas antes de vir aqui falar com a Senhora, eu estive conversando com amigos e pessoas da minha família e recomendei os seus serviços. Tenho um amigo interessado em contratar a senhora para trabalhar dois dias na casa dele e minha mãe gostaria que a senhora trabalhasse para ela um dia na semana. Ao invés de perder 2 diárias por semana, estou te oferecendo 3 diárias com outras pessoas. O que a senhora acha?".

O semblante passou de medo a alegria. O choro foi inevitável. Me agradeceu muito. Disse que não poderia estar mais contente porque o início da conversa foi assustador porque ela não poderia agora deixar de ganhar aquele dinheiro e que na verdade, eu estava era dando um aumento a ela.

Agora vou contar a vocês como foi a minha demissão de uma grande empresa da minha cidade ligada, entre outros negócios, ao ramo de logística e comércio exterior: numa bela manhã de segunda-feira, me arrumei, coloquei o uniforme padrão da empresa, saí de casa no horário de sempre, peguei meu carro na garagem e me dirigi ao trabalho. O trânsito estava bom aquela manhã e, não fosse o calor absurdo, teria chegado menos gosmento ao trabalho. Cheguei ao meu departamento, marquei meu ponto eletrônico, sentei na minha mesa e fui à sala do meu gerente para dar um bom dia (pessoalmente, gosto muito do meu agora ex-gerente. É uma pessoa extremamente inteligente e humana no melhor sentido da palavra. O tipo de líder que você segue para onde for) e ver o que iríamos fazer primeiro dado o projeto em que estamos alocados. Eu disse que iria verificar o andamento das tarefas da equipe que coordeno, leria algum e-mail urgente e viria falar com ele sobre as especificações dos módulos restantes do sistema no qual nosso projeto deveria desenvolver. Ele assentiu com a cabeça, e eu entendi que era para eu fazer o que disse que faria.

Menos de 10 minutos depois, por volta das 8:15 da manhã, entra na sala dele o psicólogo do RH responsável por recrutamento e seleção e ele me chama: "Vem cá um instante". Fui.

Disse ele: "Paulo, a empresa está passando por um novo ajuste. Meio do ano passado tivemos que enxugar gente aqui no departamento de TI para conter custos e, este ano, a coisa já começou novamente. Tentei argumentar quando o pedido veio da diretoria mas eles estão irredutíveis. Preciso te dispensar. Está aqui o psicólogo do RH que vai te passar alguns formulários, vai te ajudar a recolher suas coisas e você pode ir para casa".

Eu estava catatônico. Esta empresa é famosa por duas coisas na cidade: ser uma escola para os concorrentes irem buscar recursos e dispensar gente o tempo todo por qualquer motivo. Se vocês acompanham este blog, vejam o que relatei sobre a economia burra. Eles fazem isto todo santo dia. Eu não sabia o que dizer ao meu gerente. Se pedia socorro, se sorria, se chorava.

Disse se eu tinha que ir naquele dia mesmo, expressei minha preocupação sobre o projeto que estava em andamento, sobre a comunicação da minha saída para a equipe, afinal, era o líder deles e poderiam ver aquilo de forma negativa, poderia causar uma ruptura na equipe e afundar o projeto. Não me disse nada. Apenas que eu deveria ir embora.

Escoltado pelo rapaz do RH, abri minha gaveta, peguei o que lembrei que havia ali e que era meu. Acabei deixando livros no armário que, quer saber, fique com eles, são velhos mesmo. E não estava acreditando no que estava acontecendo. Mal pude me despedir das pessoas. Não tinha como dar um tour pelos departamentos e me despedir das pessoas com as quais trabalhei por dois anos. Não tive como ligar para outras de outras filiais com as quais falava quase que todos os dias para me despedir. Não pude sequer mandar um e-mail com o endereço da empresa para dizer algumas últimas palavras. Passei por algumas pessoas que me olhava com incredulidade ... outras sequer olhavam ... outras olhavam com pena como se eu estivesse condenado à morte.

Poucos me desejaram sorte. Poucos me foram amáveis.

Foi o desligamento mais humilhante no qual já passei. Lembrei do primeiro dia no emprego quando entrei com o status de Novo Coordenador da TI. "Olha, o cara veio da capital, já trabalhou em empresas internacionais, é o cara! Vai dar jeito em tudo", diziam uns. Todos me cumprimentavam. Gente que eu sabia que não iria com a minha cara vinha falar comigo e me desejar sorte. E estas mesmas pessoas que vieram com tanto oba-oba na minha chegada, não olham nos meus olhos na minha saída. Uma delas, virou o rosto e começou a fazer uma ligação telefônica quando eu passei na mesa dela para me despedir. "O CARA" era agora um derrotado qualquer subjugado ao desemprego, humilhado e seu nome será apagado da história da empresa. Quanta humanidade!

Enganam-se os que acham que minha saída daquela empresa é o fim. Nunca é. Somente um recomeço. Um brilhante e maravilhoso recomeço. Agora posso financiar minhas idéias e possivelmente ser dono de mim mesmo. O céu é o limite ou eu volto a procurar emprego em outro lugar. Não tenho frescura. Faço qualquer coisa e vivo minha vida.

Foi por isso que pensei na Dona Zefa. Não a queria humilhada como me humilharam. Não vou ser brasileiro que faz o que todo mundo faz. Eu comando minha vida e faria do meu jeito. Ela não seria dispensada de qualquer jeito. Eu não jogaria a Dona Zefa na lata do lixo porque eu não tenho mais como tê-la na minha folha de pagamento. Não. Dona Zefa seria tratada como eu gostaria de ter sido tratado: com RESPEITO.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A economia Burra!

O outro título que pensei em colocar para este POST foi "Como os brasileiros que gostam de levar vantagem em tudo são absurdamente burros", mas além de grande o título iria ofender quem não devia, ou seja, uma parcela de 0,000005% da população de nosso país. (Caso não queiram calcular isto dá 14,7 pessoas no país todo).

Já me deparei com a seguinte cena: "Ah, eu não compro tomate no supermercado, é caro. Eu vou na feira porque economizo pra caramba. No supermercado o quilo do tomate está R$ 6,00 e na feira eu pago R$4,99". Essa pessoa que me disse isto não mora perto de rua que tem feira livre. Para chegar à feira mais próxima ela vai de carro, num trajeto de aproximadamente 5 Km. Tudo bem, ela tem um carro popular que faz pelo menos uns 10 Km por litro de combustível e o carro é flex. Trocando em miúdos, ela gasta com a ida e a volta o total de R$ 2,30. Se você somar isto ao quilo do tomate que ela vai comprar, o tomate já sai por R$ 7,29. O supermercado ao qual ela se referiu fica a meia quadra da casa dela e que permite que ela vá a pé.

OK, OK, os valores que estou me referindo são irrisórios e mesmo se contar que a pessoa compra tomates toda a semana, ela gastará R$ 379,08 no ano e poderia economizar um total de R$ 119,60 se fosse no supermercado. Em um ano, já não é tão irrisório assim principalmente se é uma pessoa que não ganha mais do que 3 salários mínimos como é o caso desta pessoa.

Só que este tipo de economia burra não é encontrada somente junto a pessoas do populacho. Empresários, grandes empresários tem o mesmo pensamento pequeno e mesquinho.

Estou cansado de trabalhar para pessoas que tem essa mentalidadesinha pobre. A empresa que conta a quantidade de impressões que você faz mas que larga as luzes da empresa ligadas a noite toda mesmo sem ninguém na empresa ou compra equipamento de informática fabricado na catingentoslávia e que dura menos tempo do que sabor de chiclete. O empresário está acostumado a ter o bolso cheio o tempo todo e que se virem as pessoas que ele contratou para realizar o trabalho.

É mais ou menos assim que funciona: o empresário tem uma grana e monta a empresa. Ele determina quanto quer ganhar por mês e este valor é inquestionável e imutável. Não importa quanto a empresa fature, seus custos, seus investimentos, a retirada mensal do empresário-metido-a-diretor tem que acontecer e nem um centavo a menos. Não importa se tudo o que o cara fez foi ficar o dia todo sentado numa sala pedindo a alguma estagiário que ficasse gerando milhares de relatórios e planilhas que o tal empresário além de nunca ler não vai entender. A grana no bolso é sagrada, afinal, foi para isto que ele montou a empresa.

Novamente toco no ponto de que nem sempre quem tem sabe o que está fazendo com o que tem. Normalmente não sabe. Trabalho numa empresa quase centenária que foi fundada pelo avô da família. Homem íntegro e que vivia o negócio, criou a empresa do nada, com poucos recursos e trouxe ela, passando por uma guerra mundial e diversos problemas que haviam em nosso país. O filho, que também tinha a mesma paixão que o pai, elevou a empresa a um patamar nunca imaginado. Também vivia o negócio. E chegaram os netos ... não vivem o negócio ... querem a grana ... e a coisa tá indo para o saco. Junte isso governos populistas, corrupções, desvalorização de tudo em nosso país e estou vendo que em mais 10 anos, tudo foi para o vinagre.

Isto é tudo pessoal.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Porque projetos atrasam?

Depois de "Qual o sentido da vida, do universo e tudo o mais?" a pergunta "Porque projetos atrasam?" deve ser a mais realizada de todas.

Existem diversas respostas que demonstram porque um projeto atrasa mas, raramente, quem faz a pergunta sequer aceita a resposta ou, ao menos, ponderar sobre o que foi respondido. Ninguém é no mundo uma autoridade em atrasos de projeto e eu duvido que exista qualquer projeto realizado ou em andamento onde NADA atrasou.

Um projeto que aconteceu sem qualquer atraso ou não existe, ou foi feito por um elfo, ou não foi bem definido e quem contratou não ficou satisfeito ou este projeto foi cancelado e não foi concluído.

Eu desafio ao leitor me demonstrar um projeto que não atrasou e que não entrou nas categorias acima.

(Se você encontrar um elfo que fez um projeto você é o cara!)

De quem é a culpa por um projeto atrasar? Essa deve ser a terceira pergunta mais feita no mundo. E ela não tem uma resposta correta. Isto é o mesmo que culpar o vento pela água ser molhada! Ou então, a culpa é de Deus?!

Antes de fazermos estas perguntas, seria melhor que nos perguntássemos: estamos completamente seguros de tudo o que queremos de um projeto? Estamos prontos para bancar os famigerados 30% de atraso previsto na definição de um projeto? Juramos por Deus que não vamos pedir nada diferente daquilo que definirmos ANTES do início do projeto!

Acho que agora cheguei no âmago do problema: mudanças.

As seguintes premissas garantem TOTALMENTE um projeto sem atrasos:


  • O usuário sabe de cor e salteado todas as nuances e detalhes de sua atividade de negócio. Ele é tão expert no assunto que o Papa Francisco vem se consultar com ele. A Casa Branca usa esse cara para definir todas as estratégias de negócio do setor. Deste modo, todas as informações que a equipe do projeto precisar estarão determinadas, detalhadas, escritas e diagramadas corretamente não ficando espaço para dúvida.
  • O usuário, esse super saiyan (do desenho Dragon Ball), estará 100% envolvido no projeto disponível o tempo todo para ser consultado e não arredará o pé nem fará qualquer outra atividade até a entrega do projeto. Não haverá uma "visita rapidinha a um cliente" ou uma "prioridade" em outra atividade.
  • O gerente / coordenador do projeto terá autonomia para decidir o que for preciso, terá um budget (orçamento) à sua disposição para contratações de última hora, compra de alguma tecnologia necessária, sem que tenha que pedir a bênção do Chicão (Papa Francisco), de Deus, de um E.T. do Gandalf (Senhor dos Anéis), etc.
  • A equipe do projeto será formada por pessoas capazes, determinadas e com conhecimento técnico específico para a tecnologia na qual será empregada no projeto e o RH da empresa (composto por Psicólogos de verdade) irá ajudar a compor uma equipe correta e completa e não pegar a rapa do tacho do que sobrou na empresa.
  • A equipe do projeto vai ser madura para colocar de lado suas diferenças e trabalhar com vontade e determinação para o bom andamento e conclusão do projeto. 
  • O gerente / coordenador não vai ter que ficar malhando o Judas nem rebanhando a equipe porque o Diretor acha que funcionário deve ser vigiado, tolhido, chegar às 8 em ponto e não ter horário para sair da empresa.
  • As pessoas vão tomar mais de 500g de vitamina C todos os dias e diversas vacinas além de andarem com roupas anti-germes de forma a não contrair qualquer enfermidade.
  • Todos os componentes do projeto vão morar a meros 10 metros da empresa de modo que os mesmos não se atrasem, não tenham problema com trânsito, não durmam além da conta e não tenham que sair correndo da empresa para voltar para casa.
  • Todos os componentes do projeto serão andróginos sem sentimentos e não se relacionarão com ninguém fora da empresa de modo que não haja qualquer distúrbio pessoal em suas vidas e eles fiquem 100% focados no projeto.
  • A sede da empresa será protegida por uma redoma de vidro indestrutível de modo que, se o mundo acabar em qualquer tipo de cataclismo a empresa sobreviverá flutuando no espaço tudo de modo que o projeto se complete.
Exageros à parte, somente se os quesitos acima foram contemplados não teremos qualquer atraso no projeto. Aliás, se lermos atentamente a lista acima, conseguiremos descrever ainda certos problemas que eu não parei para pensar e que podem levar um projeto a atrasar.

Com toda a certeza tenho leitores que estão se perguntando mas como você justifica que um projeto que tinha o prazo de um ano para acontecer, está há 3 e ainda não acabou? Justifico dizendo: quem foi que disse que o prazo inicial do projeto era de um ano? Quem disse que isto estava certo? Com base no que foi dito isto?

Tenho a experiência de estar passando por um projeto assim. Quem determinou tudo isto é uma pessoa extremamente experiente em desenvolver software sozinho, num determinado jeito, numa determinada qualidade. Um cavaleiro solitário. Software que só ele entende e que só ele consegue efetivamente dar manutenção em tempo hábil. Qualquer outra pessoa no mundo que pega o que ele fez se confunde, demora para entender, demora para tomar proficiência e faria diferente. Neste caso, o prazo dado foi feito com base no que ELE faria. Eu jamais daria um prazo sob pressão. 

Dar um prazo é se comprometer. 

Para dar prazo, existem técnicas consagradas, métricas a serem levadas em conta e ainda assim, com margens de erro tremendas. Dar prazo é uma arte. É uma maldição. Todo prazo dado, deve ser cumprido.

Nós humanos pedimos para sofrer.

Chego para minha equipe e peço um prazo. Quero que eles me digam um dia no máximo. No fundo no fundo já sei que o prazo que eu quero é impossível, mas quero saber da equipe. Todos se entreolham. Suam. Se remexem nas cadeiras. Pensam e por fim vem o prazo: um mês. Essa resposta entra em mim rasgando como se todos da equipe estivessem contra mim e querem o meu mal. Todos agora são meus inimigos. O clima se acende. A Pressão é perceptível. Mesmo que a equipe possa fazer em 5 dias, eles vão fazer em DOIS meses. Só por causa da maneira como pedi, da reação que tive quando me deram o prazo e pelo mal psicológico que eu causei às pessoas as interpelando dessa maneira.

Mas caramba! Sem prazo como vou saber custo, viabilidade, etc?

Calma pequeno gafanhoto! Tudo tem solução!

Tenho um carro. Não sei absolutamente NADA de mecânica de automóveis. Meu carro está fazendo pequenos ruídos em determinada situação. Não parou de andar nem nada mas eu estou achando estranho o ruído. Vou ao mecânico que meu pai costumava ir. Ele avalia o carro e chega numa conclusão: tem uma peça gasta. Não vai causar problema para andar mas vai continuar a fazer o ruído. A peça não é cara, mas a mão de obra para desmontar, trocar a peça e remontar vai ficar 10 vezes mais cara do que a peça em si e o serviço vai demorar cerca de 30 dias para ser realizado. Se eu ficar puto com o mecânico, o melhor que deveria acontecer comigo era ser espancado em praça pública e meus pelos púbicos deveria ser arrancados com uma pinça. Que culpa o mecânico tem? Porque quando eu fui comprar um carro eu não fui aprender mecânica básica e olhei embaixo do capô para me certificar de que a fábrica dava acesso fácil a determinadas peças? 

Poxa! Mas eu vou ter que fazer Engenharia Mecânica no ITA para comprar um carro? Não mas um mínimo você TEM que saber e deveria ser LEI antes de adquirir um carro como tudo o mais. Até mesmo para se ter um computador pessoal DEVERÍAMOS ter um conhecimento mínimo. Popularizar tudo é desastroso. 

Não dá para culpar os outros por esse tipo de coisa.

Para todo problema existem soluções. Algumas mais caras, outras nem tanto. Em projetos é o mesmo. Para se pedir um prazo, deve-se antes pensar no problema. Definir o que está em jogo. Apresentar a sua equipe tudo o que deve ser executado, todos os detalhes possíveis sobre o problema e como poderíamos solucionar. Quem está pedindo deve ter um conhecimento mínimo do que se vai pedir. Ou, pagar a pena de ter um prazo diferente de suas expectativas e não descontar esse desapontamento na equipe. Desconte em você mesmo por estar pedindo algo do qual você não faz ideia de como funciona. 

Um caso prático:

Certa feita quis dar um up no meu site. Sou desenvolvedor mas não tenho qualquer habilidade em web design. Para mim o mundo seria quadrado e em preto e branco. Mas sei como funciona código em Javascript, CSS, HTML a estrutura de uma página web, que para fazer um menu suspenso tenho que usar um script Javascript feito do zero ou usar uma biblioteca como o JQuery para ajudar, etc. Então, fiz num PowerPoint um rabisco, um rascunho dos elementos que eu queria ver no site. Disposição de determinadas coisas e FUNCIONALMENTE defini o que o site deveria fazer. 

Contatei um amigo que é desenvolvedor de frontend há muito tempo e dei a ele as premissas do projeto. Queria que ele fizesse o front esperando que houvessem funcionalidades de servidor que EU MESMO faria em JAVA EE e que deveriam devolver para as páginas parâmetros e informações de acordo com o rabisco em PPT que eu estava mostrando a ele.

Com base nisto, disse a ele: "Leve para casa, mastiga a idéia, critica, me diz o que estou pensando errado, rabisca do jeito que você faria e vamos voltar a conversar". Ele fez isso e ficou nisso por uns 5 dias. Quando voltamos a nos falar, ele me disse que alguns problemas aconteceriam e que se eu fizesse do jeito Y ao invés do jeito X daria certo. E me disse que se eu aceitasse o que ele tinha determinado, em 10 dias ele me devolveria o site pronto para que eu acoplasse com o lado servidor que eu iria começar a desenvolver. 

Vejam aí que eu já tinha uma ideia completamente definida, delineada, ajustada para passar a quem eu esperava um prazo. Dei liberdade à EUquipe de frontend para determinar problemas, sugerir, mudar coisas, afinal, se eu soubesse fazer frontend, não precisaria contratar alguém para isto. Nem questionei o valor que ele me passou. Ele sabe o quanto vale o trabalho dele. E ele sabe que eu sou exigente e cobro fortemente qualidade e comprometimento. 

Engraçado que ele me entregou a primeira versão em 8 dias, ao invés de 10, pedi uma mudança ou outra, pequei eu sei, e ele me entregou no dia seguinte, com um dia de crédito ainda.

Eu nem havia terminado o módulo servidor ainda quando ele me entregou. E a coisa se acoplou perfeitamente, sem problemas, sem atropelos, etc. Atrasou o projeto!!!! Por minha culpa. Eu quis coisas demais do lado servidor. Coisas que eu não sabia que iriam tomar tanto tempo. Não me frustrei porque era eu que estava exigindo e eu que estava fazendo. Será que seria assim se eu tivesse contratado o módulo servidor de outra pessoa e tivesse agido diferente do que eu fiz com o rapaz do frontend?

Pensem a respeito, Oh pessoas que pedem prazos!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O dia a dia nos consome!

De metodologias e conceitos acadêmicos de gestão de tempo e produtividade estamos lotados. Tem um sabor para cada tipo de pessoa no mundo. E nenhum deles parece funcionar em todos os lugares por onde eu passei.

Sim, sou azarado! Mas de azar em azar pude perceber um ponto em comum desses lugares onde estive e que o dia parece ter meros minutos ao invés das invejadas 8 horas de trabalho. Em muitos deles, mesmo ficando cerca de 16 horas na empresa, parece que nada rendia.

O grande vilão é o dia-a-dia.

O dia-a-dia é aquela economizada que seu diretor deu em determinado orçamento, aquele contrato com o fornecedor que cobrou mais barato mesmo não sendo a escolha de melhor qualidade, é aquela rotina que você poderia ter escrito melhor mas o seu chefe não permitiu para que não atrasasse a entrega do projeto, etc ...

Essa semente do mal cresce e nos engole. E eu dei o apelido carinhoso a ela de dia-a-dia.

Existem diversas maneiras de se evitar que um dia-a-dia apareça. Algumas eu descrevo abaixo:

Fazer antes de pensar: 

O trabalho do desenvolvedor de software é absolutamente parecido com o do arquiteto ou engenheiro na construção civil. É tão parecido que vários dos papas da tecnologia, escreveram padrões de projeto (design patterns) que surgiram justamente para ajudar a resolver problemas comuns aos construtores de edifícios e a aplicação do conceito é tão comum aos dois mundos que foi fácil "portar" os conceitos para o mundo da informática.

Imagine que você quer comprar um apartamento. Você vai a um stand de venda e procura um corretor e ele lhe fala da obra magnífica que será edificada ali, que os quartos vão ser maravilhosamente dimensionados nos impressionantes 100m quadrados de área do apartamento, que a cozinha será funcional, etc. Bem, o prédio ainda não está pronto, logo, você não tem como saber como vai ficar. Para ajudar a demonstrar um pouco o arquiteto fez uma planta baixa (um desenho do andar em recorte demonstrando a disposição das paredes, portas, janelas, etc). Ele foi muito preciosista e construiu também uma maquete das fachadas do prédio. O resto fica por conta da sua imaginação. E você aceita. Acha bom, o preço e as condições de pagamento são legais, você fecha negócio e espera o prédio ficar pronto para se mudar com sua família.

Agora imagine que você é um usuário do sistema e a equipe de desenvolvimento de sistemas da sua empresa faz inúmeras reuniões com você para saber como é o seu dia-a-dia, quais são os problemas que você enfrenta para realizar o seu trabalho, etc. Deste modo, eles criam um protótipo de telas, clicável inclusive, diagramas demonstrando as regras de negócio que vão cumprir, criam cronogramas para que você acompanhe o andamento do projeto, o envolvem nos testes e tal. E VOCÊ USUÁRIO CARA DE PAU VEM FALAR QUE NÃO TEM COMO APROVAR O PROJETO PORQUE NÃO TEM O SOFTWARE PARA USAR. COMO VOU APROVAR UM PROJETO SE EU NÃO TENHO O PROGRAMA PARA USAR????

Porque o seu apartamento você compra sem o prédio existir e o software você precisa ter pronto???

É a mesma coisa!

Por causa de usuários assim, temos visto diretores e gerentes exigindo que funcionalidades complexas e regras de negócio beirando sistemas especialistas (com Inteligência Artificial) saiam do papel em questão de poucas horas. Como pode?

Alguém já parou para pensar que 9 mães grávidas juntas não fazem um filho em um mês? Do mesmo modo, tudo tem um tempo para surgir. Estamos fazendo as coisas sem pensar, sem planejar, porque alguém sem noção não está dando o devido tempo para as coisas surgirem.

Milhares de bons sistemas que ajudariam a humanidade a evoluir estão deixando de aparecer no mundo porque alguém inventou uma idiotice chamada TIME-TO-BUSINESS como se o tempo fosse fator limitante do que quer que seja! Algum publicitáriosinho metido a CEO acordou um dia com diarréia e pensou, nossa, quero que os sistemas da minha empresa sejam TODOS feitos em um dia ou dois. Para que perder meses num projeto para um software surgir? Não é só apertar uma série de botões?

A diferença nos casos que eu citei (da engenharia em relação a TI) é que um engenheiro tem um conselho regional que o apóia e o obriga a tomar certas precauções e a se responsabilizar civil e criminalmente pelo que ele está criando, ou seja, se o prédio desabar, ele está completamente ferrado. Se isto fosse imposto a um desenvolvedor, você iria se matar de fazer aquele sistema que na sua concepção levaria um mês para ficar devidamente pronto, em apenas dois dias porque o dono da empresa para a qual você trabalha quer? Por acaso o dono da sua empresa colocou o registro de Tecnologia dele em jogo? Ah, ele não tem porque não tem formação em Tecnologia? Ah, ele não tem formação em nada? Ah, o pai abriu a empresa para ele. Acho que estamos voltando a posts anteriores onde eu disse que alguém que abre uma empresa não necessariamente deveria participar do dia-a-dia dela. Mas contribui com esse monstro.

Pensou? Então pensa mais um pouco antes de sair fazendo:

Você recolheu os requisitos do usuário.
Você validou os requisitos e gerou as regras de negócio.
Você validou as regras de negócio, determinou fluxos para apoiar as premissas que você levantou.
Você gerou os casos de uso para determinar as fronteiras do que será construído.
Você realizou os casos de uso em diagramas de sequências.
Seus arquitetos de sistemas modelaram as classes de acordo com seus diagramas e regras.
Seus desenvolvedores foram envolvidos para validar o modelo.
Foram feitos protótipos.
Foram feitas apresentações dos protótipos aos usuários.
Os usuários aprovaram formalmente os protótipos.
Foram feitas seções de testes de mesa para apoiar as decisões que o projeto tem.
Todo mundo está satisfeito com os resultados.
Vamos começar a construir. Mesmo? Não falta nada?

Usuário mudam de idéia como eu mudo a roupa de baixo. Se você conversar com um usuário, principalmente aquele mais mimado, genioso, em dias diferentes da semana, antes do pagamento do mês, na época que a esposa dele está menstruada, sei lá, pode ter certeza de que ele vai contradizer tudo aquilo que ele havia aprovado. Gestão de mudanças em desenvolvimento de software é a disciplina mais importante em qualquer modelo de gestão de projetos que você venha a adotar. Não importa qual. Alguns te ajudam mais a medir o impacto das coisas, outros menos.

Mas não há milagre feito neste universo, nem na Bahia, que te impeça de frustrar o chefe mimado. Aquele mesmo! Ele ACHA e vai continuar assim eternamente, porque está pagando, que o sistema que ele imaginou ficar pronto em três meses, tem que ficar e pronto. Se não ficar é porque a cadeia de desenvolvimento, do gerente ao faxineiro, não prestam. São incompetentes. Imagina se ele vai achar que por algum momento ele subdimensionou o prazo.

Amigo, as coisas são caras. Você quer algo exclusivo por 10 reais? Aqui não é a China e lá, com toda a certeza, não há itens exclusivos.

Tá bom! Todo mundo entendeu e o projeto vai começar!

Gostaria que alguém me dissesse se existe um sistema que gera sistemas!

Adoro a série Star Trek. Todas as versões.

Havia um instrumento na nave em que você (usuário) pedia algo (sistema) e esse algo era materializado e você poderia interagir com as ilusões, etc. Era chamado na série de Holodeck. Um super simulador, criador de realidades, transformava energia em matéria temporária onde você poderia confundir o seu cérebro e interagir com entidades irreais num mundo de realidade virtual. Conseguiu entender?

Talvez, no século XXIV (24) tenhamos um instrumento capaz de construir um sistema sem a intervenção de pessoas. Mas até lá, talvez você não precise mais de software como o conhecemos. De qualquer modo, para fazer uma casa você precisa de arquiteto, engenheiro, mestre-de-obras, pedreiro, material e TEMPO (além de aprovações de prefeitura e outras burocracias). Ah, esquecemos do bom e velho DINHEIRO!!!!

Para fazer software, também. Você precisa do gerente de projetos, do arquiteto, do desenvolvedor, do usuário (burocracia) e do bom e velho TEMPO também. Preciso falar que tudo isso se resume a dinheiro?

Sacaram o lance das pessoas no meio de tudo isto?

Somos imperfeitos. Seres em constante mudança. Duais em tudo. Temos sempre uma vida dupla. Somos o profissional e o pessoal ao mesmo tempo, entre outras dualidades que não vem ao caso neste blog. Porque diabos o velho idiota dono da empresa acha que ninguém vai se desmotivar, cansar, adoecer, errar, complicar o que poderia ser simplificado, se enganar, enganar, ter medo, ter coragem de assumir o erro, se acovardar porque precisa do emprego, se encher do emprego e mandar o chefe a merda e ir procurar outro emprego, etc, etc, etc?

Projetos ATRASAM!
Projetos DÃO ERRADO!
Projetos SE COMPLICAM!
Projetos DÃO PREJUÍZO!

Mas com a devida paciência, com o devido tempo, com a devida autonomia dada ao Gerente / Coordenador / Desenvolvedor, o projeto ANDA, ACONTECE, FUNCIONA, TERMINA, DÁ LUCRO, DEMONSTRA QUE FOI UM SACRIFÍCIO QUE VALEU A PENA, etc ...

O dia a dia é a briga diária contra todos os obstáculos que eu apontei aqui. Tem horas em que parece que não estamos gastando nosso tempo e conhecimento para resolver um problema e criar um sistema. Tem hora que estamos combatendo valentemente os problemas do dia a dia. Ao invés das pessoas se unirem para uma causa maior e resolver logo o que deve ser resolvido, tendemos a olhar para nossos umbigos, salvarmos nossos empregos e os outros que se danem. Até quando seremos egoístas a este ponto?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ambiente de Trabalho ou Inferno?

Quando comecei a trabalhar aos meus 17 anos, ficava maravilhado porque na época tinha-se numa empresa o que não se tinha em casa.

Não havia computadores pessoais em casa porque eram caros para a avassaladora maioria das pessoas. Não haviam ainda no Brasil aparelhos de celular e, quando chegaram, também eram caros para o uso médio das pessoas. Não haviam cadeiras tão confortáveis como as de escritório e havia também a possibilidade de troca de informações entre as pessoas, coisa que você normalmente não iria ter indo à padaria ou falando com seu vizinho. E mesmo assim, eram muito menos pessoas e contatos do que você fazia quando se relacionava com os colegas da empresa.

Tudo hoje é diferente. Não é raro, infelizmente, termos em casa um ambiente muito mais confortável do que temos no trabalho. E, como vocês devem ter percebido, passamos mais tempo no trabalho do que em casa.

Incrivelmente, principalmente aqui no Brasil, a legislação trabalhista tão velha e arcaica está criando um problema muito sério. O mundo se globalizou e trouxe novas necessidades e jeitos de fazer mas a CLT ainda EXIGE que estejamos em nossa cadeira às 8 (ou 9 depende) da manhã, cumpramos o horário de almoço à risca e saiamos do trabalho às 18 (ou 19 depende) em ponto!!! Para que?

O horário comercial local é um assassino de ambientes de trabalho.

As pessoas são apenas 10% do que fazem no trabalho. Todos nós somos muito mais do que aquilo. As pessoas que se definem pelo que fazem no trabalho, estão todas realmente precisando procurar ajuda médica.

Não é raro alguém, quando questionado, dizer, sou médico, sou advogado, sou professor. Não, amigos, somos humanos e no curto período que precisamos trabalhar para ter determinados créditos para financiar o resto do que é nossa vida, fazemos uso de nossa profissão.

Eu sou um homem casado, sem filhos, com (hoje) 36 anos de idade que é viciado em leitura, adora programar em diversas linguagens de programação, músico amador, inventor nas horas vagas, que tem duas dálmatas e está aprendendo a viver num apartamento pela primeira vez na vida. Por acaso, sou formado em tecnologia em processamento de dados e uso isto para ganhar meu pão de cada dia.

Poderia ter me apresentado desta maneira: Sou um tecnólogo em processamento de dados com 36 anos de idade que trabalho como coordenador de desenvolvimento de sistemas para uma empresa de comércio exterior de grande expressão na minha região e que estou atuando em um projeto de logística para a transportadora do grupo. Moro com minha esposa e tenho dois cães. Meu hobby é tocar guitarra.

Viram a diferença?

Na primeira forma, você claramente entende que eu trabalho mas que ele só ocupa uma pequena parte da minha vida e é essa importância que eu dou a este trabalho. Ainda assim, sou um dos melhores, reconhecidamente, no que eu faço. Se colocamos o trabalho como prioridade máxima em nossa vida, seremos escravizados por ele e ao final de nossa jornada neste mundo, teremos trabalhado. Apenas.

Por outro lado quando assumimos uma posição numa empresa, desde que nosso contratante cumpra com sua parte do acordo, temos um compromisso assumido e temos que realizar nosso melhor na atividade que nos foi dirigida. Quem contrata, o faz por um motivo e espera que cumpramos com nossa parte do acordo: quando você contrata uma diarista para trabalhar na sua casa, combina com ela de que horas a que horas ela vai realizar o serviço de limpeza e arrumação e diz à pessoa o que espera que seja feito e o a qualidade esperada. Se a pessoa aceita e é paga, você aguarda para a conclusão do trabalho.

Aqui temos um ponto a observar: você contratou sabendo quanto ia pagar e sabia o que queria que fosse feito. A pessoa aceitou o valor e sabia o que tinha que fazer. Pronto! Ambos devem confiar um no outro e ambos tem que cumprir com aquilo que foi acordado. Nada além.

Você não dá a sua diarista uma vassoura sem cabo para varrer a casa, ou com o cabo quebrado, e espera que ela lhe entregue o ambiente limpo como se tivesse sido feito com o melhor e mais potente aspirador de pó! Você não fica em "cima" da profissional criticando o que ela vai fazendo e espera que ela volte a trabalhar para você!

Quando é a sua vez de ser o colaborador a mesma coisa deve acontecer. Você fará o que dá para ser feito com o que lhe foi dado para fazer. Nada além.

Estou rodeando para falar de como o ambiente e as condições de trabalho podem fazer você colaborador ou gestor se sentir no céu ou no inferno.

Este recado é para ambos, contratante e contratado e deve ser levado a sério por ambos. O contratante para colocar a "mão na consciência" e aprimorar condições de trabalho e exigências e o contratado para não se deixar levar por qualquer trabalho e aceitar o que vier pela frente. Se não exigirmos qualidade ela nunca virá.

Se você entra na empresa e tem a sensação de que o que você tem em casa é melhor do que há ali, você está no lugar errado para você. A empresa, já que você terá de passar muito tempo nela, deve oferecer a você um ambiente igual ou melhor do que você pode conseguir ou, permitir que você trabalhe em sua própria casa pois, deste modo, você será muito mais produtivo. Aqui estamos dizendo que o ambiente da sua casa está preparado para lhe dar conforto, silêncio e privacidade para realizar sua tarefa. Fazer home-office quando seus 3 filhos pequenos, quando te vêem em casa, querem brincar e você não pode ou não consegue dizer não a eles, não vai te permitir trabalhar em casa. Se sua esposa ou marido não respeita seus horários de trabalho, ou seja, se quando você está em casa deve dar atenção a eles, não deve fazer home-office. Neste caso, a empresa está te oferecendo um ambiente melhor seja ele como for.

Bem, vou tentar resumir o que para mim seria um ambiente de trabalho excelente tendo em vista os lugares por onde passei (bons e ruins). Nada do descrito é exagero ou não existe.

Iluminação: nada melhor do que um ambiente bem iluminado. Se não puder ter janelas e uma vista decente que pelo menos tenha uma iluminação confortável e que permita que você chegue ao final do dia sem dor de cabeça (por muita luz) ou quase cego (por pouca luz).

Acomodações: mesa espaçosa, pelo menos um metro e meio se for uma mesa reta ou 90 centímetros para cada lado caso seja uma mesa de canto ou baia. Cadeira com rodas com acento confortável, que recline, com encosto alto (pessoas baixas também vão fazer muito uso disto) de modo a poder recostar a cabeça, com descanso de braço e regulagem de altura, tanto da mesa quanto da cadeira. Ficamos sentados praticamente o tempo todo. Existem empresas que se nos dessem um bloco de madeira para sentar teríamos mais conforto do que a cadeira oferecida. Diversos problemas, inclusive stress, podem ser eliminados com o uso da cadeira e mesa adequados.

Personalização: nada melhor do que trazer algo somente seu e que lembre a sua casa e suas coisas. Trazer uma caneca, porta-retratos, adesivos, enfeites, fazem o seu ambiente mais agradável. Desde que não sejam artigos e objetos ofensivos (você não vai pendurar o poster daquela porn-star em trajes de trabalho, ou seja, nenhum, na parede a sua frente vai?).

Privacidade: se não há a possibilidade de ter cada colaborador em uma sala, ao menos que sua baia ou mesa tenha uma divisória que permita não ficar olhando, ou sendo olhado, o tempo todo por todo mundo. Ambientes de trabalho onde o chefe tem que ficar olhando o monitor do funcionário para garantir que ele está trabalhando são o que há de pior. Não há o que desmotive mais. O funcionário NÃO VAI ficar trabalhando o tempo todo. Em algum momento ele vai ler uma notícia esportiva, vai mandar um e-mail pessoal ou encontrar uma piada na internet. Não é saudável ficar com foco de mais de uma hora em determinado assunto.

Pausas: deve ser permitido que o funcionário faça pausas regulares. Obviamente se o cidadão leva uma hora e meia tomando um café há algum problema que a gestão deve resolver mas não permitir o sagrado cafezinho vai causar mais prejuízo ainda. Pausa para qualquer coisa é necessário. Até mesmo para descansar os olhos. Tive o prazer de trabalhar com uma pessoa que precisava recostar na mesa, chegando a quase dormir, para resolver problemas tão complexos que ninguém na empresa (e duvido muito que fora dela também) poderia resolver. Ele abaixava a cabeça e tirava uma soneca duns 20 minutos, acordava com a solução (sempre brilhante) na hora, digitava e resolvia. Brilhante! E era encorajado por nosso gerente na época a fazê-lo. Já vi salas de descanso de uso liberado em diversos lugares e funciona muito bem. A produtividade dessas empresas é excelente.

Comunicação: aberta e sem frescuras. As posições numa empresa devem ser horizontais. Todos devem ter acesso a todos. Os salários são de acordo com o grau de responsabilidade que é exigido de cada um e não pelo nome do cargo. Eu não vou colocar um fulano como Gerente porque ele tem um salário alto porque é amigo do dono da empresa. Na verdade, se essa pessoa não é realmente um gerente, não deveria ter sido contratado para a função. Devemos poder falar com todos na empresa, do dono ao faxineiro. Todos tem a mesma importância. O proprietário de um negócio que não ouve seus colaboradores está perdendo uma chance monstruosa de saber coisas importantes a respeito de sua empresa e vai perder dinheiro a qualquer momento. Formalização é necessária quando as pessoas temem e são responsabilizadas erroneamente. Quando se há a auto-responsabilização. Quando todos trabalham pelo todo, a formalização torna-se desnecessária. Quando o e-mail é ferramenta para "tirar o seu da reta" há algo muito errado com a empresa.

Horários: como eu disse a CLT é a culpada pelo grande CAOS que as grandes cidades encontram, sejam no trânsito, seja na saúde mental das pessoas. A CLT impõe um ritmo de trabalho que os dias atuais não comportam. As pessoas não vivem apenas para trabalhar e, por isso, a CLT lhes impõe uma rotina horrível obrigando pessoas a se esforçarem além da conta para chegar no horário. As empresas, por sua vez, usam deste instrumento arcaico para achacar o colaborador e este, para se defender, lota ônibus, metrôs e as ruas com carros transportando apenas uma pessoa para poder "chegar no horário". Todos os dias. O tempo todo. Se houvesse uma eliminação da obrigatoriedade do horário fixo, as pessoas poderiam trabalhar em seu ritmo pessoal e melhorar imensamente sua produtividade, afinal, se forem cobradas por resultados, farão o que for preciso. Trabalhei num lugar em que, apesar de sujeitos a CLT, não cumpríamos esse tipo de horário fixo. Deste modo, você tinha que estar na empresa num determinado número de horas e em apenas um dia da semana pré-determinado, deveríamos estar todos no mesmo horário para a reunião semanal da gerência. Caso não fosse possível, participávamos por tele-conferência. Várias vezes participei por telefone da minha casa. Num dos dias anteriores eu tinha saído da empresa à uma da manhã, por escolha minha, e acordei uma hora antes da reunião e participei por telefone. Ninguém atrasava seus prazos, salvo exceções muito grandes e que não tinham outra maneira, e ninguém nunca colocou a empresa "no pau" para exigir direitos trabalhistas. A empresa era tão boa que foi comprada, infelizmente.

Presar pela Maturidade: pessoas imaturas são boa parcela da população mundial. Felizmente, existem os mais maduros que podem e devem ajudar os mais imaturos a se desenvolverem. Um ambiente que presa a maturidade de atitudes, de ações e reforça esse comportamento, ajuda os mais imaturos a se desenvolver. Pessoas podem se auto-gerenciar. Precisam somente de apoio e de metas e objetivos bem definidos. Ninguém que está no mercado de trabalho (e quer continuar nele) vai a algum lugar para brincar. Mesmo os que estão nesse humor, se em contato com um ambiente de trabalho maduro com pessoas maduras, abranda esse comportamento porque humanos tendem a copiar o comportamentos dos outros a seu redor.

Eliminar a incompetência: pessoas incompetentes em determinadas posições da empresa causam um mal irreversível a qualquer organização e são a peça chave para um ambiente de trabalho horroroso. Aquele diretor que não sabe dirigir, o programador que não tem conhecimento técnico suficiente, e muitos outros casos que posso citar que acabam por gerar problemas e tornar o ambiente péssimo. Nada pior do que um chefe incompetente. Nos lugares bons que trabalhei havia uma regra: o chefe sabia perfeitamente realizar qualquer atividade abaixo dele. Significa que, se numa equipe de desenvolvimento de sistemas, um programador faltar ou sair da empresa, na urgência, o gerente sabia fazer o que ele fazia. Isto faz com que o gerente tenha diversas visões para tomada de decisão, por exemplo, o cliente pediu algo complexo com prazo curto. Se o gerente programa, sabe muito bem que não dará tempo, não importa o que se faça e consegue ter argumentos para negociar com o cliente de forma a não tornar tudo um pandemônio.

RH com Psicólogos de Verdade: pessoas tem perfis. Perfis combinam ou não entre si. Perfis de colaboradores devem estar de acordo entre si e com o perfil dos donos e dirigentes da empresa. Contratar gente somente olhando seus resumos profissionais é uma estratégia incompleta. Contratar alguém sem saber o que é possível esperar emocionalmente delas é outra barca furada. Pessoas são complexas. Atuei junto a um departamento de recrutamento e seleção que fez um trabalho maravilhoso. O trabalho de head-hunting deles é mais do que buscar gente pelo Google ou achar alguém bacana no LinkedIn. Cada entrevista durava mais de uma hora. Todos os aspectos eram verificados. Perguntas eram feitas de modo a medir o perfil, entender o momento da pessoa, chegar ao emocional, além de testes técnicos específicos do cargo o qual se queria preencher. O resultado disso era uma tamanha sinergia entre as equipes que parecia que os mesmos se conheciam há seculos e sempre trabalhavam juntos. Quem encabeçava esse departamento era uma psicóloga muito experiente que tratava a sala de recrutamento com o mesmo zelo que tratava seus pacientes em seu consultório de psicoterapia, segundo ela.

Liberdade e Autonomia: chegamos, enfim, ao grande ponto. Esta é a chave de todos os grandes problemas corporativos. São dois quesitos em um. Dar liberdade sem autonomia e vice-versa não funciona. São dois quesitos que precisam ser ENTREGUES pelo contratante mas que precisam ser ALIMENTADOS, CUIDADOS pelo contratado. Devemos receber liberdade para realizar nossas tarefas dentro de princípios éticos e valores os quais devemos respeitar acima de tudo e precisamos de autonomia para concluir o que nos propusemos a realizar. O Contratante deve outorgar essa liberdade sem questionamentos e respeitar a autonomia aguardando resultados. O acompanhamento é mais do que necessário, claro, as arestas devem ser aparadas mas o resultado final será absolutamente favorável.

Remuneração: para os mais antigos como eu, quando os relógios não funcionavam somente à bateria, nem relógio trabalha de graça era uma expressão para dizer que todos tem que ter algum pagamento pelo que fazem. A não ser que você esteja realizando um trabalho voluntário não remunerado, você precisa receber à altura do que está realizando. Contratante deve estar a par dos valores pagos pelo mercado e contratado também. Um exemplo é que na empresa em que estou atualmente trabalhando, havia uma vaga em aberto para programador sênior. Tem-se em mente, em nossa empresa, que um programador sênior tem ao menos 5 anos de experiência comprovada, é proficiente na tecnologia que usamos e possui determinadas características pessoais que interessam a empresa. Reprovei 20 dos 41 candidatos que apareceram imediatamente. Um deles foi o mais clássico: a vaga pretendia remunerar um sênior nessas condições com o valor de $5.500,00 mais benefícios em regime CLT. O cara chegou pedindo no mínimo R$ 9.000,00. Bem, se ele está pedindo isto, deve ser o cara. Entregamos a prova técnica que ele levou 2 horas para responder completamente e tirou nota 2. Pensei "essa prova que eu bolei deve ser muito difícil ... não dá para condenar ele assim, e se estivesse nervoso na hora?". Peguei, de surpresa o mais júnior da equipe, não formado ainda, que trabalha com desenvolvimento há 6 meses e lhe apliquei a prova. Ele levou meia hora para realizar a prova e tirou 8. Preciso dizer que tive que dar um aumento para o rapaz?

Gente, já passei por tudo o que descrevi e garanto: o resultado é mais do que positivo. Arrisquem e não vão se arrepender e vamos melhorar nossos ambientes de trabalho.