Quando comecei a trabalhar aos meus 17 anos, ficava maravilhado porque na época tinha-se numa empresa o que não se tinha em casa.
Não havia computadores pessoais em casa porque eram caros para a avassaladora maioria das pessoas. Não haviam ainda no Brasil aparelhos de celular e, quando chegaram, também eram caros para o uso médio das pessoas. Não haviam cadeiras tão confortáveis como as de escritório e havia também a possibilidade de troca de informações entre as pessoas, coisa que você normalmente não iria ter indo à padaria ou falando com seu vizinho. E mesmo assim, eram muito menos pessoas e contatos do que você fazia quando se relacionava com os colegas da empresa.
Tudo hoje é diferente. Não é raro, infelizmente, termos em casa um ambiente muito mais confortável do que temos no trabalho. E, como vocês devem ter percebido, passamos mais tempo no trabalho do que em casa.
Incrivelmente, principalmente aqui no Brasil, a legislação trabalhista tão velha e arcaica está criando um problema muito sério. O mundo se globalizou e trouxe novas necessidades e jeitos de fazer mas a CLT ainda EXIGE que estejamos em nossa cadeira às 8 (ou 9 depende) da manhã, cumpramos o horário de almoço à risca e saiamos do trabalho às 18 (ou 19 depende) em ponto!!! Para que?
O horário comercial local é um assassino de ambientes de trabalho.
As pessoas são apenas 10% do que fazem no trabalho. Todos nós somos muito mais do que aquilo. As pessoas que se definem pelo que fazem no trabalho, estão todas realmente precisando procurar ajuda médica.
Não é raro alguém, quando questionado, dizer, sou médico, sou advogado, sou professor. Não, amigos, somos humanos e no curto período que precisamos trabalhar para ter determinados créditos para financiar o resto do que é nossa vida, fazemos uso de nossa profissão.
Eu sou um homem casado, sem filhos, com (hoje) 36 anos de idade que é viciado em leitura, adora programar em diversas linguagens de programação, músico amador, inventor nas horas vagas, que tem duas dálmatas e está aprendendo a viver num apartamento pela primeira vez na vida. Por acaso, sou formado em tecnologia em processamento de dados e uso isto para ganhar meu pão de cada dia.
Poderia ter me apresentado desta maneira: Sou um tecnólogo em processamento de dados com 36 anos de idade que trabalho como coordenador de desenvolvimento de sistemas para uma empresa de comércio exterior de grande expressão na minha região e que estou atuando em um projeto de logística para a transportadora do grupo. Moro com minha esposa e tenho dois cães. Meu hobby é tocar guitarra.
Viram a diferença?
Na primeira forma, você claramente entende que eu trabalho mas que ele só ocupa uma pequena parte da minha vida e é essa importância que eu dou a este trabalho. Ainda assim, sou um dos melhores, reconhecidamente, no que eu faço. Se colocamos o trabalho como prioridade máxima em nossa vida, seremos escravizados por ele e ao final de nossa jornada neste mundo, teremos trabalhado. Apenas.
Por outro lado quando assumimos uma posição numa empresa, desde que nosso contratante cumpra com sua parte do acordo, temos um compromisso assumido e temos que realizar nosso melhor na atividade que nos foi dirigida. Quem contrata, o faz por um motivo e espera que cumpramos com nossa parte do acordo: quando você contrata uma diarista para trabalhar na sua casa, combina com ela de que horas a que horas ela vai realizar o serviço de limpeza e arrumação e diz à pessoa o que espera que seja feito e o a qualidade esperada. Se a pessoa aceita e é paga, você aguarda para a conclusão do trabalho.
Aqui temos um ponto a observar: você contratou sabendo quanto ia pagar e sabia o que queria que fosse feito. A pessoa aceitou o valor e sabia o que tinha que fazer. Pronto! Ambos devem confiar um no outro e ambos tem que cumprir com aquilo que foi acordado. Nada além.
Você não dá a sua diarista uma vassoura sem cabo para varrer a casa, ou com o cabo quebrado, e espera que ela lhe entregue o ambiente limpo como se tivesse sido feito com o melhor e mais potente aspirador de pó! Você não fica em "cima" da profissional criticando o que ela vai fazendo e espera que ela volte a trabalhar para você!
Quando é a sua vez de ser o colaborador a mesma coisa deve acontecer. Você fará o que dá para ser feito com o que lhe foi dado para fazer. Nada além.
Estou rodeando para falar de como o ambiente e as condições de trabalho podem fazer você colaborador ou gestor se sentir no céu ou no inferno.
Este recado é para ambos, contratante e contratado e deve ser levado a sério por ambos. O contratante para colocar a "mão na consciência" e aprimorar condições de trabalho e exigências e o contratado para não se deixar levar por qualquer trabalho e aceitar o que vier pela frente. Se não exigirmos qualidade ela nunca virá.
Se você entra na empresa e tem a sensação de que o que você tem em casa é melhor do que há ali, você está no lugar errado para você. A empresa, já que você terá de passar muito tempo nela, deve oferecer a você um ambiente igual ou melhor do que você pode conseguir ou, permitir que você trabalhe em sua própria casa pois, deste modo, você será muito mais produtivo. Aqui estamos dizendo que o ambiente da sua casa está preparado para lhe dar conforto, silêncio e privacidade para realizar sua tarefa. Fazer home-office quando seus 3 filhos pequenos, quando te vêem em casa, querem brincar e você não pode ou não consegue dizer não a eles, não vai te permitir trabalhar em casa. Se sua esposa ou marido não respeita seus horários de trabalho, ou seja, se quando você está em casa deve dar atenção a eles, não deve fazer home-office. Neste caso, a empresa está te oferecendo um ambiente melhor seja ele como for.
Bem, vou tentar resumir o que para mim seria um ambiente de trabalho excelente tendo em vista os lugares por onde passei (bons e ruins). Nada do descrito é exagero ou não existe.
Iluminação: nada melhor do que um ambiente bem iluminado. Se não puder ter janelas e uma vista decente que pelo menos tenha uma iluminação confortável e que permita que você chegue ao final do dia sem dor de cabeça (por muita luz) ou quase cego (por pouca luz).
Acomodações: mesa espaçosa, pelo menos um metro e meio se for uma mesa reta ou 90 centímetros para cada lado caso seja uma mesa de canto ou baia. Cadeira com rodas com acento confortável, que recline, com encosto alto (pessoas baixas também vão fazer muito uso disto) de modo a poder recostar a cabeça, com descanso de braço e regulagem de altura, tanto da mesa quanto da cadeira. Ficamos sentados praticamente o tempo todo. Existem empresas que se nos dessem um bloco de madeira para sentar teríamos mais conforto do que a cadeira oferecida. Diversos problemas, inclusive stress, podem ser eliminados com o uso da cadeira e mesa adequados.
Personalização: nada melhor do que trazer algo somente seu e que lembre a sua casa e suas coisas. Trazer uma caneca, porta-retratos, adesivos, enfeites, fazem o seu ambiente mais agradável. Desde que não sejam artigos e objetos ofensivos (você não vai pendurar o poster daquela porn-star em trajes de trabalho, ou seja, nenhum, na parede a sua frente vai?).
Privacidade: se não há a possibilidade de ter cada colaborador em uma sala, ao menos que sua baia ou mesa tenha uma divisória que permita não ficar olhando, ou sendo olhado, o tempo todo por todo mundo. Ambientes de trabalho onde o chefe tem que ficar olhando o monitor do funcionário para garantir que ele está trabalhando são o que há de pior. Não há o que desmotive mais. O funcionário NÃO VAI ficar trabalhando o tempo todo. Em algum momento ele vai ler uma notícia esportiva, vai mandar um e-mail pessoal ou encontrar uma piada na internet. Não é saudável ficar com foco de mais de uma hora em determinado assunto.
Pausas: deve ser permitido que o funcionário faça pausas regulares. Obviamente se o cidadão leva uma hora e meia tomando um café há algum problema que a gestão deve resolver mas não permitir o sagrado cafezinho vai causar mais prejuízo ainda. Pausa para qualquer coisa é necessário. Até mesmo para descansar os olhos. Tive o prazer de trabalhar com uma pessoa que precisava recostar na mesa, chegando a quase dormir, para resolver problemas tão complexos que ninguém na empresa (e duvido muito que fora dela também) poderia resolver. Ele abaixava a cabeça e tirava uma soneca duns 20 minutos, acordava com a solução (sempre brilhante) na hora, digitava e resolvia. Brilhante! E era encorajado por nosso gerente na época a fazê-lo. Já vi salas de descanso de uso liberado em diversos lugares e funciona muito bem. A produtividade dessas empresas é excelente.
Comunicação: aberta e sem frescuras. As posições numa empresa devem ser horizontais. Todos devem ter acesso a todos. Os salários são de acordo com o grau de responsabilidade que é exigido de cada um e não pelo nome do cargo. Eu não vou colocar um fulano como Gerente porque ele tem um salário alto porque é amigo do dono da empresa. Na verdade, se essa pessoa não é realmente um gerente, não deveria ter sido contratado para a função. Devemos poder falar com todos na empresa, do dono ao faxineiro. Todos tem a mesma importância. O proprietário de um negócio que não ouve seus colaboradores está perdendo uma chance monstruosa de saber coisas importantes a respeito de sua empresa e vai perder dinheiro a qualquer momento. Formalização é necessária quando as pessoas temem e são responsabilizadas erroneamente. Quando se há a auto-responsabilização. Quando todos trabalham pelo todo, a formalização torna-se desnecessária. Quando o e-mail é ferramenta para "tirar o seu da reta" há algo muito errado com a empresa.
Horários: como eu disse a CLT é a culpada pelo grande CAOS que as grandes cidades encontram, sejam no trânsito, seja na saúde mental das pessoas. A CLT impõe um ritmo de trabalho que os dias atuais não comportam. As pessoas não vivem apenas para trabalhar e, por isso, a CLT lhes impõe uma rotina horrível obrigando pessoas a se esforçarem além da conta para chegar no horário. As empresas, por sua vez, usam deste instrumento arcaico para achacar o colaborador e este, para se defender, lota ônibus, metrôs e as ruas com carros transportando apenas uma pessoa para poder "chegar no horário". Todos os dias. O tempo todo. Se houvesse uma eliminação da obrigatoriedade do horário fixo, as pessoas poderiam trabalhar em seu ritmo pessoal e melhorar imensamente sua produtividade, afinal, se forem cobradas por resultados, farão o que for preciso. Trabalhei num lugar em que, apesar de sujeitos a CLT, não cumpríamos esse tipo de horário fixo. Deste modo, você tinha que estar na empresa num determinado número de horas e em apenas um dia da semana pré-determinado, deveríamos estar todos no mesmo horário para a reunião semanal da gerência. Caso não fosse possível, participávamos por tele-conferência. Várias vezes participei por telefone da minha casa. Num dos dias anteriores eu tinha saído da empresa à uma da manhã, por escolha minha, e acordei uma hora antes da reunião e participei por telefone. Ninguém atrasava seus prazos, salvo exceções muito grandes e que não tinham outra maneira, e ninguém nunca colocou a empresa "no pau" para exigir direitos trabalhistas. A empresa era tão boa que foi comprada, infelizmente.
Presar pela Maturidade: pessoas imaturas são boa parcela da população mundial. Felizmente, existem os mais maduros que podem e devem ajudar os mais imaturos a se desenvolverem. Um ambiente que presa a maturidade de atitudes, de ações e reforça esse comportamento, ajuda os mais imaturos a se desenvolver. Pessoas podem se auto-gerenciar. Precisam somente de apoio e de metas e objetivos bem definidos. Ninguém que está no mercado de trabalho (e quer continuar nele) vai a algum lugar para brincar. Mesmo os que estão nesse humor, se em contato com um ambiente de trabalho maduro com pessoas maduras, abranda esse comportamento porque humanos tendem a copiar o comportamentos dos outros a seu redor.
Eliminar a incompetência: pessoas incompetentes em determinadas posições da empresa causam um mal irreversível a qualquer organização e são a peça chave para um ambiente de trabalho horroroso. Aquele diretor que não sabe dirigir, o programador que não tem conhecimento técnico suficiente, e muitos outros casos que posso citar que acabam por gerar problemas e tornar o ambiente péssimo. Nada pior do que um chefe incompetente. Nos lugares bons que trabalhei havia uma regra: o chefe sabia perfeitamente realizar qualquer atividade abaixo dele. Significa que, se numa equipe de desenvolvimento de sistemas, um programador faltar ou sair da empresa, na urgência, o gerente sabia fazer o que ele fazia. Isto faz com que o gerente tenha diversas visões para tomada de decisão, por exemplo, o cliente pediu algo complexo com prazo curto. Se o gerente programa, sabe muito bem que não dará tempo, não importa o que se faça e consegue ter argumentos para negociar com o cliente de forma a não tornar tudo um pandemônio.
RH com Psicólogos de Verdade: pessoas tem perfis. Perfis combinam ou não entre si. Perfis de colaboradores devem estar de acordo entre si e com o perfil dos donos e dirigentes da empresa. Contratar gente somente olhando seus resumos profissionais é uma estratégia incompleta. Contratar alguém sem saber o que é possível esperar emocionalmente delas é outra barca furada. Pessoas são complexas. Atuei junto a um departamento de recrutamento e seleção que fez um trabalho maravilhoso. O trabalho de head-hunting deles é mais do que buscar gente pelo Google ou achar alguém bacana no LinkedIn. Cada entrevista durava mais de uma hora. Todos os aspectos eram verificados. Perguntas eram feitas de modo a medir o perfil, entender o momento da pessoa, chegar ao emocional, além de testes técnicos específicos do cargo o qual se queria preencher. O resultado disso era uma tamanha sinergia entre as equipes que parecia que os mesmos se conheciam há seculos e sempre trabalhavam juntos. Quem encabeçava esse departamento era uma psicóloga muito experiente que tratava a sala de recrutamento com o mesmo zelo que tratava seus pacientes em seu consultório de psicoterapia, segundo ela.
Liberdade e Autonomia: chegamos, enfim, ao grande ponto. Esta é a chave de todos os grandes problemas corporativos. São dois quesitos em um. Dar liberdade sem autonomia e vice-versa não funciona. São dois quesitos que precisam ser ENTREGUES pelo contratante mas que precisam ser ALIMENTADOS, CUIDADOS pelo contratado. Devemos receber liberdade para realizar nossas tarefas dentro de princípios éticos e valores os quais devemos respeitar acima de tudo e precisamos de autonomia para concluir o que nos propusemos a realizar. O Contratante deve outorgar essa liberdade sem questionamentos e respeitar a autonomia aguardando resultados. O acompanhamento é mais do que necessário, claro, as arestas devem ser aparadas mas o resultado final será absolutamente favorável.
Remuneração: para os mais antigos como eu, quando os relógios não funcionavam somente à bateria, nem relógio trabalha de graça era uma expressão para dizer que todos tem que ter algum pagamento pelo que fazem. A não ser que você esteja realizando um trabalho voluntário não remunerado, você precisa receber à altura do que está realizando. Contratante deve estar a par dos valores pagos pelo mercado e contratado também. Um exemplo é que na empresa em que estou atualmente trabalhando, havia uma vaga em aberto para programador sênior. Tem-se em mente, em nossa empresa, que um programador sênior tem ao menos 5 anos de experiência comprovada, é proficiente na tecnologia que usamos e possui determinadas características pessoais que interessam a empresa. Reprovei 20 dos 41 candidatos que apareceram imediatamente. Um deles foi o mais clássico: a vaga pretendia remunerar um sênior nessas condições com o valor de $5.500,00 mais benefícios em regime CLT. O cara chegou pedindo no mínimo R$ 9.000,00. Bem, se ele está pedindo isto, deve ser o cara. Entregamos a prova técnica que ele levou 2 horas para responder completamente e tirou nota 2. Pensei "essa prova que eu bolei deve ser muito difícil ... não dá para condenar ele assim, e se estivesse nervoso na hora?". Peguei, de surpresa o mais júnior da equipe, não formado ainda, que trabalha com desenvolvimento há 6 meses e lhe apliquei a prova. Ele levou meia hora para realizar a prova e tirou 8. Preciso dizer que tive que dar um aumento para o rapaz?
Gente, já passei por tudo o que descrevi e garanto: o resultado é mais do que positivo. Arrisquem e não vão se arrepender e vamos melhorar nossos ambientes de trabalho.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Gestão por pancadas
Certa feita fui convidado a Gerenciar uma equipe de Desenvolvimento de Sistemas.
Fiquei muito contente com o convite mais do que com o salário oferecido na época. Aceitei porque achei que seria um desafio produtivo. Era uma start-up. Nunca havia feito parte de uma.
Não me atentei a certos detalhes: havia clientes, havia pedidos desses clientes, havia equipe montada e havia tecnologia escolhida. Essas eram as premissas, quero dizer, eu não ia poder montar uma equipe do zero, com tecnologia escolhida pensando no que os clientes tinham solicitado. Já estava tudo lá.
A empresa havia sido formada por dois diretores. Nenhum deles com qualquer experiência na direção de nada e nem com o negócio ao qual formaram. Havia uma forte iniciativa, uma enorme vontade de que tudo desse certo.
Com esse panorama, entendi que minha entrada para colaborar seria no intuito de eu ajudá-los justamente nos quesitos técnico-administrativos que eles não possuíam e que eu teria a devida autonomia para traçar as metas, métodos e estruturas de forma a cumprir com o que foi prometido aos clientes no prazo e qualidade que eles almejavam. Realmente eu não poderia ter entendido da forma mais errada.
Eles queriam ter alguém que centralizasse suas ordens, quaisquer que fossem, e que a equipe as cumprisse imediatamente, não importando o que ou para que. Chamei isto de Gestão por Pancadas.
O dia-a-dia era mais ou menos assim:
A equipe chegava, eram repassadas as atividades do dia, eram verificados os problemas que ocorreram no dia anterior, organizava-se o que deveria ser feito e, mão na massa. Então o diretor ia na sala. Falava de tudo o que havia acontecido na reunião com o cliente no dia anterior, tudo o que havia reprometido, tudo o que havia deliberadamente modificado no cronograma e, verbalmente, passava as NOVAS atividades que ele imaginava que deveriam ser feitas para entregar AGORA! E ficava lá. E "pescoçava" por cima dos ombros para ver o que estava sendo feito. E questionava o porque um comando naquela linguagem de programação se escrevia daquela maneira. E contava uma piada, porque na visão dele animava a "galera". E quando ele cansava de atrapalhar: voltava para a sala dele.
Ao final do dia, vinha a bomba! A mudança que ele pediu era tão grande que não dava para mudar de uma hora para outra. E todo mundo ficava "varando" madrugada a dentro para tentar entregar. Lá pelas duas da madrugada, quando não mais tarde (ou cedo) ainda, estava tudo pronto e entregue. Íamos para casa. Tentar dormir porque não havia a "compensação" das horas a mais. Tudo ia para banco de horas. Ele queria todo mundo na empresa às 8 da manhã. Muitos moravam longe, como eu. Ir para casa de madrugada já era complicado. Dormir 3 a 4 horas para estar na empresa cedo era pior ainda. E ai de quem não chegasse ou não viesse.
Resultado: desmotivação, deslealdade, alto turn-over, etc. Ele até hoje não entende porque está na quinta equipe diferente e o mesmo sistema não foi entregue. Ele não entende porque as pessoas precisam dormir mais de 3 horas por noite já que ele é um insone. Como os outros não são? Para que um gerente se ele mesmo já gerenciava por pancadas?
Fiquei muito contente com o convite mais do que com o salário oferecido na época. Aceitei porque achei que seria um desafio produtivo. Era uma start-up. Nunca havia feito parte de uma.
Não me atentei a certos detalhes: havia clientes, havia pedidos desses clientes, havia equipe montada e havia tecnologia escolhida. Essas eram as premissas, quero dizer, eu não ia poder montar uma equipe do zero, com tecnologia escolhida pensando no que os clientes tinham solicitado. Já estava tudo lá.
A empresa havia sido formada por dois diretores. Nenhum deles com qualquer experiência na direção de nada e nem com o negócio ao qual formaram. Havia uma forte iniciativa, uma enorme vontade de que tudo desse certo.
Com esse panorama, entendi que minha entrada para colaborar seria no intuito de eu ajudá-los justamente nos quesitos técnico-administrativos que eles não possuíam e que eu teria a devida autonomia para traçar as metas, métodos e estruturas de forma a cumprir com o que foi prometido aos clientes no prazo e qualidade que eles almejavam. Realmente eu não poderia ter entendido da forma mais errada.
Eles queriam ter alguém que centralizasse suas ordens, quaisquer que fossem, e que a equipe as cumprisse imediatamente, não importando o que ou para que. Chamei isto de Gestão por Pancadas.
O dia-a-dia era mais ou menos assim:
A equipe chegava, eram repassadas as atividades do dia, eram verificados os problemas que ocorreram no dia anterior, organizava-se o que deveria ser feito e, mão na massa. Então o diretor ia na sala. Falava de tudo o que havia acontecido na reunião com o cliente no dia anterior, tudo o que havia reprometido, tudo o que havia deliberadamente modificado no cronograma e, verbalmente, passava as NOVAS atividades que ele imaginava que deveriam ser feitas para entregar AGORA! E ficava lá. E "pescoçava" por cima dos ombros para ver o que estava sendo feito. E questionava o porque um comando naquela linguagem de programação se escrevia daquela maneira. E contava uma piada, porque na visão dele animava a "galera". E quando ele cansava de atrapalhar: voltava para a sala dele.
Ao final do dia, vinha a bomba! A mudança que ele pediu era tão grande que não dava para mudar de uma hora para outra. E todo mundo ficava "varando" madrugada a dentro para tentar entregar. Lá pelas duas da madrugada, quando não mais tarde (ou cedo) ainda, estava tudo pronto e entregue. Íamos para casa. Tentar dormir porque não havia a "compensação" das horas a mais. Tudo ia para banco de horas. Ele queria todo mundo na empresa às 8 da manhã. Muitos moravam longe, como eu. Ir para casa de madrugada já era complicado. Dormir 3 a 4 horas para estar na empresa cedo era pior ainda. E ai de quem não chegasse ou não viesse.
Resultado: desmotivação, deslealdade, alto turn-over, etc. Ele até hoje não entende porque está na quinta equipe diferente e o mesmo sistema não foi entregue. Ele não entende porque as pessoas precisam dormir mais de 3 horas por noite já que ele é um insone. Como os outros não são? Para que um gerente se ele mesmo já gerenciava por pancadas?
Como começar?
Gerênciar requer talento e vontade. É muito fácil gerenciar uma máquina, basta programa-lá e se estiver tudo certo com ela, tudo vai andar de acordo com o esperado. Se você for um bom gerente, você vai saber quando deve planejar as manutenções para manter a máquina trabalhando corretamente. Quando se é gerente de pessoas seja lá para que atividades, somente acreditar que elas farão aquilo para que foram contratadas não será o suficiente.
Mas isto não é novidade nenhuma. É até obvio. Nem tanto. Liderar é uma arte tanto quanto o é a pintura ou a carpintaria. Para liderar pessoas você tem que gostar de pessoas e se importar com elas. Pessoas respondem melhor a lideres que as compreendam, estimulam e demonstram se importar com suas vidas.
Grande parte das empresas esta preocupada em bater metas, lucrar, ganhar clientes e tudo isto é muito lindo mas, para isto a corporação depende de gente.
Não é raro os proprietários e dirigentes não ligarem a mínima para suas equipes. Eu pergunto para eles: se sua equipe resolver ir toda embora, o que acontece com você? Tenho certeza que você está neste momento formulando uma resposta para refutar minha ideia mas, aqui vai uma para você: se sua equipe sumir, seus prazos estouram e seu cliente vai te tratar como você tratou seus empregados e que culminou no êxodo deles. E seus clientes não vão dar a mínima para você também. Eles vão querer seu produto ou serviço no prazo e com a qualidade que eles esperavam e você vai ter que entregar ou fechar as portas e, acredite, eu já vi muita empresa quebrar por causa disto.
Alguns vão dizer: mas você deve ser algum idiotinha petista de esquerda que quer tornar a corporação refém do funcionário? Pelo contrário. Sou completamente capitalista mas, ao contrário de você que esta sendo contrário aos meus argumentos eu não sou burro e sei que meu sucesso depende daqueles que estão trabalhando comigo e, porque não, por mim, ou você acha que é ao contrário?
Você é o dono do seu negocio e, a não ser que seja um robô, não vai conseguir criar seu produto, vende-lo, aprimora-lo e administrar seu negocio tudo ao mesmo tempo. É para isto que você delega algumas dessas atividades a pessoas. E os colaboradores os quais você escolhe tem que ter a experiência mínima exigida para exercer determinadas funções.
Coisas que dirigentes e proprietários esquecem corriqueiramente é que essas pessoas são seres humanos, limitados, imperfeitos e em busca de desenvolvimento como, aliás, todos somos neste planeta. Até que um dia tenhamos contato com outra humanidade mais desenvolvida do que nós, o que temos à nossa disposição é isto. Desse modo, não adianta querer extrair do seu Gerente milagres. Ele não os fará. Ele fará o melhor que ele puder para atender afinal, não conheço ninguém que acorda cedo, sai de sua casa e vai para o trabalho para ficar brincando. Principalmente pessoas que ocupam cargos de responsabilidade maior, gestão, etc.
Um dos grandes problemas que tenho visto em algumas empresas para as quais trabalhei é que os donos da empresa tinham um sonho de ter o próprio negócio. Só isto. Não necessariamente eles tem expertise para TRABALHAR no negócio que eles possuem. Deste modo, eles querem fazer parte da direção da empresa ao invés de acompanhar o negócio e receber o lucro proveniente do mesmo. Como não tem experiência na administração do negócio, nem experiência técnica, mas querem participar ativamente, atrapalham os colaboradores que foram contratados para dar andamento ao negócio e acabam por tomar decisões equivocadas e que culminam em problemas. E o Gerente é o culpado.
Estou vendo tanto isto em segmentos de negócio diferentes que estou entendendo este movimento como uma doença que está se instalando nas corporações.
Fica uma pergunta: porque alguém abre um negócio do qual não tem capacidade para tocar mas insiste em achar que, da noite para o dia, se transformará em DIRETOR? É para poder dizer aos amigos ou caso seja entrevistado no meio da rua que é DIRETOR de alguma coisa? É só questão de ego? Fica a dúvida!
Mas isto não é novidade nenhuma. É até obvio. Nem tanto. Liderar é uma arte tanto quanto o é a pintura ou a carpintaria. Para liderar pessoas você tem que gostar de pessoas e se importar com elas. Pessoas respondem melhor a lideres que as compreendam, estimulam e demonstram se importar com suas vidas.
Grande parte das empresas esta preocupada em bater metas, lucrar, ganhar clientes e tudo isto é muito lindo mas, para isto a corporação depende de gente.
Não é raro os proprietários e dirigentes não ligarem a mínima para suas equipes. Eu pergunto para eles: se sua equipe resolver ir toda embora, o que acontece com você? Tenho certeza que você está neste momento formulando uma resposta para refutar minha ideia mas, aqui vai uma para você: se sua equipe sumir, seus prazos estouram e seu cliente vai te tratar como você tratou seus empregados e que culminou no êxodo deles. E seus clientes não vão dar a mínima para você também. Eles vão querer seu produto ou serviço no prazo e com a qualidade que eles esperavam e você vai ter que entregar ou fechar as portas e, acredite, eu já vi muita empresa quebrar por causa disto.
Alguns vão dizer: mas você deve ser algum idiotinha petista de esquerda que quer tornar a corporação refém do funcionário? Pelo contrário. Sou completamente capitalista mas, ao contrário de você que esta sendo contrário aos meus argumentos eu não sou burro e sei que meu sucesso depende daqueles que estão trabalhando comigo e, porque não, por mim, ou você acha que é ao contrário?
Você é o dono do seu negocio e, a não ser que seja um robô, não vai conseguir criar seu produto, vende-lo, aprimora-lo e administrar seu negocio tudo ao mesmo tempo. É para isto que você delega algumas dessas atividades a pessoas. E os colaboradores os quais você escolhe tem que ter a experiência mínima exigida para exercer determinadas funções.
Coisas que dirigentes e proprietários esquecem corriqueiramente é que essas pessoas são seres humanos, limitados, imperfeitos e em busca de desenvolvimento como, aliás, todos somos neste planeta. Até que um dia tenhamos contato com outra humanidade mais desenvolvida do que nós, o que temos à nossa disposição é isto. Desse modo, não adianta querer extrair do seu Gerente milagres. Ele não os fará. Ele fará o melhor que ele puder para atender afinal, não conheço ninguém que acorda cedo, sai de sua casa e vai para o trabalho para ficar brincando. Principalmente pessoas que ocupam cargos de responsabilidade maior, gestão, etc.
Um dos grandes problemas que tenho visto em algumas empresas para as quais trabalhei é que os donos da empresa tinham um sonho de ter o próprio negócio. Só isto. Não necessariamente eles tem expertise para TRABALHAR no negócio que eles possuem. Deste modo, eles querem fazer parte da direção da empresa ao invés de acompanhar o negócio e receber o lucro proveniente do mesmo. Como não tem experiência na administração do negócio, nem experiência técnica, mas querem participar ativamente, atrapalham os colaboradores que foram contratados para dar andamento ao negócio e acabam por tomar decisões equivocadas e que culminam em problemas. E o Gerente é o culpado.
Estou vendo tanto isto em segmentos de negócio diferentes que estou entendendo este movimento como uma doença que está se instalando nas corporações.
Fica uma pergunta: porque alguém abre um negócio do qual não tem capacidade para tocar mas insiste em achar que, da noite para o dia, se transformará em DIRETOR? É para poder dizer aos amigos ou caso seja entrevistado no meio da rua que é DIRETOR de alguma coisa? É só questão de ego? Fica a dúvida!
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